
Nascida como legaltech, a Forlex tem reposicionado sua identidade para levar tecnologia de ponta para o mercado global. A startup, que acaba de desembarcar nos Estados Unidos, vem se consolidando como uma deeptech especializada no treinamento de modelos de inteligência artificial, com foco no setor jurídico.
Em dezembro, a companhia anunciou que estava com uma rodada de investimentos aberta, com o objetivo de levantar cerca de US$ 15 milhões para bater de frente com concorrentes gringos como a Harvey AI.
O modelo desenvolvido pela empresa é um agente de IA calibrado para o contexto regulatório brasileiro, mas que já roda provas de conceito em outros sistemas jurídicos fora do país. O diferencial técnico, segundo a companhia, é um modelo 10 vezes menor e 10 vezes mais barato para o GPT-5, com o mesmo nível de eficiência para aplicações jurídicas.
Daniel Bichuetti, cofundador e CTO da Forlex, foi o convidado desta semana do podcast MVP, apresentado por Gustavo Brigatto, fundador do Startups.
Na conversa, ele explicou como a empresa chegou até esse ponto — e por que o caminho passou longe da abordagem mais comum entre startups de IA brasileiras.
“A gente começa fazendo um caminho diferente: não começamos aplicando modelos para trabalhar em cima. Nós tentamos fazer essa aplicação, percebemos que o índice de alucinação era grande demais, e começamos a fazer alguns trabalhos internos. Na época, partimos para fine tune de modelos. Hoje, usamos técnicas mais complexas, como CPT, reinforcement learning“, contou Daniel.
A aposta em treinamento próprio, e não apenas em aplicação de modelos prontos, coloca a Forlex em um segmento ainda pouco explorado por startups brasileiras: o dos modelos de linguagem especializados (SLMs), que competem em nichos onde grandes players como OpenAI e Anthropic atuam de forma mais generalista.
Mas a conversa também tocou em um ponto sensível do ecossistema nacional. Para Daniel, o Brasil tem tudo para exportar tecnologia de ponta em IA. No entanto, falta disposição do capital de risco para bancar esse tipo de aposta.
“Falta no Brasil um pouco mais de coragem para assumir risco de alguns fundos de investimento nacionais. Porque não falta mão de obra, não falta profissional qualificado e não falta empreendedor com condição de tocar o negócio. Acho que falta um pouco de trabalho conjunto do capital para que se alavanque startups dessa maneira”, avaliou o executivo.
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O post Forlex: “Falta coragem dos fundos para investir em IA de ponta no Brasil” apareceu primeiro em Startups.


