
Os tradicionais “dias da inovação” perderam força como mecanismo para aproximar CIOs e áreas de negócios das novas tecnologias. A constatação aparece em análise recente publicada por Ted Schadler, Ashutosh Sharma e Jeffrey Rajamani, da Forrester, que apontam um problema recorrente: esses encontros costumam privilegiar demonstrações genéricas, desconectadas das prioridades estratégicas das empresas. O resultado, segundo eles, é previsível: muito brilho, pouca aplicabilidade.
A consultoria lembra que o setor já experimentou ondas de entusiasmo que rapidamente se dissiparam por falta de aderência ao negócio. Blockchain e metaverso são citados como exemplos de tecnologias apresentadas de forma sedutora, mas sem diálogo com desafios concretos. Os analistas alertam que a mesma armadilha ronda os agentes de IA, cuja adoção exige integração profunda a processos e métricas corporativas.
A crítica central da Forrester é que eventos baseados em vitrines tecnológicas estimulam um consumo passivo de informação. Os times saem impressionados, mas sem clareza sobre como traduzir a inspiração em impacto real. Para reduzir esse hiato, a consultoria propõe uma reformulação do modelo. Em vez de dias de inovação, promover encontros de coinovação com parceiros estratégicos, estruturados para resolver problemas específicos da organização.
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Coinovação com parceiros
Nesse novo formato, a curadoria do conteúdo é invertida. Em vez de pedir aos fornecedores que exibam suas tecnologias mais recentes, a empresa orienta o evento a partir de metas e casos de uso que realmente importam.
A Forrester sugere que um parceiro, ao apresentar um robô de inteligência artificial (IA), por exemplo, deve contextualizar onde esse equipamento faz sentido na operação, quais equipes seriam impactadas e quais etapas seriam necessárias para implementá-lo.
A coinovação também exige que os próprios parceiros atuem de forma integrada. Os analistas destacam que, em ecossistemas cada vez mais distribuídos, especialmente no universo da IA, onde infraestrutura, dados, modelos, nuvem e consultorias se entrelaçam, é comum que uma solução dependa da colaboração entre diversos fornecedores. Por isso, a consultoria defende que alianças já estabelecidas, como as de grandes players de nuvem e integradores globais, coordenem suas apresentações e construam propostas unificadas.
A preparação do encontro também é redesenhada. A Forrester orienta que a empresa anfitriã compartilhe previamente seus objetivos de negócio, convide stakeholders internos a enviar desafios prioritários e estimule os parceiros a levar especialistas e startups relevantes. Essa antecipação reduz o risco de apresentações desalinhadas e aumenta a probabilidade de conversas orientadas a experimentação prática exatamente o que falta aos eventos tradicionais.
Planejamento e qualidade
Os analistas afirmam que esse pequeno esforço adicional na fase de planejamento gera um ganho expressivo de qualidade. Eles observam que, ao explicitarem prioridades e oferecerem visibilidade sobre iniciativas estratégicas, as empresas conduzem os parceiros a entregas mais aderentes e aprofundam a confiança mútua.
A consultoria ressalta, no entanto, que confiança é critério para seleção: se uma empresa não está confortável em compartilhar suas dores e ambições com determinado fornecedor, talvez ele não devesse participar do summit.
O conceito de Partner CoInnovation Summit, como define a Forrester, vem sendo adotado por organizações que buscam acelerar a conversão de tecnologia em resultado. A consultoria afirma acompanhar casos bem-sucedidos e coloca seus analistas à disposição para orientar clientes que desejem adotar o modelo.
Ao deslocar o foco da vitrine para a colaboração, a proposta aponta para um amadurecimento da relação entre CIOs e seus ecossistemas tecnológicos. Em um cenário em que a IA se torna camada estrutural do negócio, a exigência deixa de ser inspiração e passa a ser relevância imediata. É isso que separa os eventos que encantam dos encontros que transformam.
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