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Ramon Silva, fundador da Hexagon | Foto: divulgação
Ramon Silva, fundador da Hexagon | Foto: divulgação

Se antes a disputa das marcas era por aparecer na primeira página do Google, agora o campo de batalha é outro: a resposta que o ChatGPT entrega quando alguém faz uma pergunta. Com isso em mente, a Hexagon quer ganhar espaço e acabou de levantar um cheque de R$ 10 milhões para isso.

Fundada pelo brasileiro Ramon Silva, que ficou conhecido por vender a Avocado (startup de dark stores que foi a base para a criação do Turbo) para a colombiana Rappi, a Hexagon recebeu o investimento seed da Pear VC, fundo ianque de early stage conhecido por ter investido em nomes como DoorDash, Cognition e Gusto.

Com o aporte, o plano da Hexagon é escalar sua tecnologia de GEO (Generative Engine Optimization), uma espécie de SEO para a era da IA: em vez de mirar o ranking do buscador, a solução faz com que as marcas sejam corretamente compreendidas, referenciadas e priorizadas nas respostas de plataformas como o ChatGPT.

No Brasil, a empresa já atende clientes como Loft, Getnet, Buser, BTG Pactual e Tako. Sobre os clientes nos Estados Unidos, a companhia não revelou informações, nem deu detalhes sobre seu faturamento ou expectativas de receita com o crescimento impulsionado pela rodada.

Em comunicado, o CEO Ramon destacou que o caminho até o aporte e o momento de growth foram cuidadosos. “Optamos por investir primeiro em tecnologia e infraestrutura antes de escalar equipe”, explica. A ideia, segundo ele, foi construir uma solução robusta para um problema “que está surgindo agora” e que nasce de uma tecnologia já presente no dia a dia de pessoas e empresas.

A aposta da Hexagon, porém, vai além do GEO. A startup acompanha de perto o Agentic Commerce Protocol (ACP), tecnologia que permite fechar compras diretamente dentro de ambientes de IA generativa, sem sair da conversa — uma frente em que a empresa já opera estratégias nos Estados Unidos.

Segundo Ramon, os próximos passos estão em duas frentes. De um lado, ampliar a base de clientes no Brasil e nos EUA e aprofundar a tecnologia; de outro, encarar a parte mais ingrata de quem chega cedo — evangelizar o mercado, convencendo as marcas de que estruturar presença dentro da IA deixou de ser luxo para virar necessidade.

As projeções do mercado sustentam o apetite dos investidores por soluções como a da Hexagon. A Bain estima que o comércio agêntico movimente de US$ 300 bilhões a US$ 500 bilhões nos EUA até 2030 (de 15% a 25% das vendas online). Já o Morgan Stanley trabalha com US$ 190 bi a US$ 385 bi, e um relatório de McKinsey chega a cravar US$ 1 trilhão só no varejo B2C americano.

“Estamos vivendo a maior mudança na lógica de descoberta da internet desde o Google“, afirma. “As marcas que não forem compreendidas por esses modelos simplesmente deixam de existir nesse novo ambiente.” A leitura da casa é que dá para largar na frente justamente porque o canal ainda não virou “óbvio” para o resto do mercado.

O post Fundador que vendeu “turbo” ao Rappi levanta R$ 10M para sua nova startup apareceu primeiro em Startups.