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Fintechs | Foto: Canva
Fintechs | Foto: Canva

*Por João Betenheuzer, CRO e Co-Founder da Celero

O Fintech Americas reforça, mais uma vez, seu papel como um dos principais fóruns estratégicos para o setor financeiro na América Latina. Reunindo bancos, fintechs e executivos globais, o evento evidencia uma mudança importante: o debate deixou de ser sobre tendências isoladas e passou a se concentrar em como tecnologia, modelo de negócio e execução se conectam na prática.

Ao longo das discussões, ficou claro que o setor financeiro entra em uma nova fase, que é menos centrada em inovação conceitual e mais orientada à entrega de valor real. Um dos pontos mais recorrentes foi a mudança no referencial de experiência do cliente. Hoje, bancos não competem apenas entre si, mas com qualquer empresa capaz de oferecer uma jornada digital fluida. Plataformas como e-commerce, super apps e serviços digitais redefiniram o padrão de conveniência, elevando o nível de exigência dos usuários.

Nesse cenário, melhorias incrementais deixam de ser suficientes. A experiência precisa ser pensada de forma integrada, contextual e, principalmente, invisível dentro da jornada do cliente. Essa mudança está diretamente ligada ao avanço do chamado embedded finance. Cada vez mais, serviços financeiros acontecem fora do ambiente bancário tradicional, integrados a marketplaces, plataformas digitais e ecossistemas de serviços.

O crescimento de wallets, criptoativos e stablecoins acelera esse movimento e reforça a necessidade de reposicionamento das instituições financeiras. O modelo centrado em produtos perde espaço para uma lógica orientada a ecossistemas, em que o valor está na capacidade de integrar serviços e participar de diferentes momentos da jornada do cliente.

Outro tema relevante foi a expansão internacional. Executivos destacaram que não existe uma estratégia replicável entre mercados. A entrada em países como os Estados Unidos exige foco, segmentação e clareza de proposta de valor, enquanto mercados como o Brasil se consolidam como referências em infraestrutura financeira, especialmente em iniciativas como Open Finance e pagamentos instantâneos.

Aliás, o avanço do Open Finance na América Latina também ganhou destaque. Apesar da evolução tecnológica, o principal desafio não está mais na infraestrutura, mas na coordenação entre reguladores, bancos e fintechs. A construção de confiança do usuário aparece como fator decisivo, exigindo transparência, educação financeira e entrega consistente de valor.

Na frente de inteligência artificial, o discurso amadureceu. A tecnologia deixa de ser tratada como diferencial competitivo isolado e passa a ser entendida como um habilitador de eficiência operacional e tomada de decisão. Ainda assim, muitas organizações enfrentam dificuldades para transformar experimentação em resultado concreto. Esse descompasso revela um ponto crítico: o desafio da execução.

Mais do que tecnologia, a transformação depende de mudanças estruturais, desde cultura organizacional até modelos de gestão. Empresas que operam com times mais autônomos, ciclos curtos de teste e maior tolerância ao erro conseguem capturar valor mais rapidamente. Por outro lado, estruturas rígidas continuam sendo um dos principais entraves à inovação.

No fim, a convergência dos debates aponta para três pilares que devem orientar o futuro do setor financeiro: experiência, ecossistema e execução. Se, nos últimos anos, o foco esteve em entender as tendências, o momento agora é outro. A diferença competitiva passa, cada vez mais, pela capacidade de transformar estratégia em entrega concreta, de forma consistente, escalável e mensurável.

O post Futuro do sistema financeiro será definido por experiência, ecossistema e execução apareceu primeiro em Startups.