
Os gastos com tecnologia na Europa devem ultrapassar pela primeira vez a marca de € 1,5 trilhão em 2026. A projeção indica um crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior, mesmo em um cenário marcado por incertezas econômicas, tensões geopolíticas e pressões comerciais. A expansão é sustentada principalmente pelo avanço da inteligência artificial, pela aceleração da adoção de nuvem, pelo reforço dos investimentos em cibersegurança e por uma estratégia mais assertiva de soberania digital no continente.
De acordo com análise da Forrester, a demanda por hardware otimizado para IA e a expansão de data centers ganham força em diferentes regiões da Europa. Países nórdicos e áreas do sul do continente devem concentrar novos projetos de infraestrutura, beneficiados por maior disponibilidade energética e por alinhamento a requisitos regulatórios locais. Esse movimento ocorre em paralelo à saturação de polos tradicionais como Londres e Dublin, que enfrentam restrições de capacidade elétrica e de expansão física.
O crescimento da infraestrutura de IA deve se refletir em taxas de dois dígitos na venda de servidores especializados e equipamentos associados. A França aparece como um dos mercados mais bem posicionados nesse cenário, apoiada por um ecossistema ativo de startups e empresas voltadas a inteligência artificial, dados, computação quântica e tecnologias espaciais. Iniciativas lideradas por companhias como Mistral AI, Hugging Face e Dataiku reforçam essa vantagem competitiva.
No segmento de software, os investimentos seguem em ritmo acelerado. A expectativa é de crescimento de cerca de 11% em 2026, puxado por aplicações entregues via nuvem e pela incorporação de recursos de IA em soluções corporativas. Plataformas de gestão, analytics e automação de processos passam a concentrar parte relevante dos orçamentos de tecnologia, à medida que empresas buscam ganhos de produtividade e escalabilidade.
Leia também: Chris Howarth assume a Avanade enquanto Rodrigo Caserta migra para a Microsoft
Esse avanço amplia também a superfície de ataques digitais, elevando a prioridade da cibersegurança. A combinação entre ambientes em nuvem, modelos de IA e dados distribuídos exige soluções mais sofisticadas de proteção, o que pressiona os gastos na área. Na Alemanha, por exemplo, o investimento em nuvem pública deve crescer cerca de 17% em 2026, passando a representar mais da metade do total destinado a software no país.
Soberania digital e IA ética
A soberania digital surge como um dos eixos centrais da estratégia tecnológica europeia. A dependência histórica de provedores norte-americanos de nuvem e software levou governos e reguladores a acelerar iniciativas voltadas à autonomia em infraestrutura, dados e segurança. O tema deixou de ser tratado como um objetivo de longo prazo e passou a orientar decisões imediatas de política pública e de compras corporativas.
Nesse contexto, a União Europeia busca se posicionar como referência global em inteligência artificial ética, combinando infraestrutura própria, acesso a dados de alta qualidade e algoritmos especializados por setor. A European Commission colocou esse direcionamento no centro de suas políticas industriais. O Chips Act europeu, com foco em 2026, prioriza o desenvolvimento de chips voltados à IA produzidos no continente, a eficiência energética, a segurança da cadeia de suprimentos e a criação de cinco “gigafábricas de IA” destinadas ao treinamento de modelos avançados.
A consolidação da soberania tecnológica tende a impactar profundamente a dinâmica entre fornecedores, influenciando escolhas de infraestrutura, parcerias e arquitetura de sistemas nos próximos anos. Empresas que operam na Europa passam a considerar, de forma mais explícita, critérios regulatórios, localização de dados e alinhamento geopolítico em suas estratégias de tecnologia.
As projeções fazem parte do European Tech Market Forecast 2025–2030, estudo que detalha a evolução dos investimentos em tecnologia no continente e aponta mudanças estruturais no mercado. A análise indica que, apesar dos desafios macroeconômicos, a Europa entra em 2026 com uma agenda digital mais clara, combinando crescimento, inovação e controle estratégico sobre ativos tecnológicos críticos.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!


