
A quarta edição do Web Summit Rio chegou ao fim, reunindo startups, investidores e demais agentes do ecossistema de inovação em quatro dias de evento na capital fluminense. Enquanto nos palcos se discutiram temas como inteligência artificial e o fim do SaaS, nos corredores e side events o assunto era menos sobre tecnologia e mais sobre política.
Com a proximidade da eleição presidencial no Brasil em outubro e um cenário marcado pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, o ecossistema tem tentado emplacar nomes alternativos. A busca é por um candidato mais rigoroso com a agenda fiscal, que permita que os juros baixem em um ritmo mais acelerado no país, o que criaria condições mais favoráveis para a captação de recursos pelo venture capital.
No South Summit, em março, houve uma tentativa de garantir a candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como terceira via, o que acabou não se concretizando.
Agora, no Web Summit, o nome da vez foi Renan Santos, cofundador do MBL e pré-candidato à Presidência pelo Partido Missão. Em uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela Quaest, o político aparece empatado com Ronaldo Caiado (PSD), com 3% das intenções de voto.
Renan foi aliado de Jair Bolsonaro em 2018 e ficou conhecido principalmente pelas pautas de segurança pública, com a defesa do uso da força pela polícia e o combate ao crime organizado. O pré-candidato de 37 anos também tem buscado se aproximar das gerações mais novas e da Faria Lima, defendendo uma agenda liberal.
Web Summit e a hegemonia do Vale
Além da política local, o cenário geopolítico global também fez parte das conversas, dentro e fora dos palcos. No Center Stage, Henna Virkkunen, Vice-Presidente Executiva para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia da Comissão Europeia, falou sobre a importância da cooperação entre países para garantir a soberania tecnológica, mas deixou claro que é preciso que esses parceiros sejam “de confiança”.
“Um parceiro de confiança, como o Brasil, é aquele comprometido com mercados abertos, tecnologia segura e uma ordem baseada em regras, além de ser um parceiro confiável e disposto a cooperar”, alfinetou.
A Europa vem tentando se desvencilhar da dependência da infraestrutura tecnológica norte-americana. No ano passado, empresas de tecnologia europeias chegaram a formar uma coalizão para exigir ações radicais da União Europeia em prol da soberania digital do bloco.
Em coletiva na sala de imprensa, o fundador e CEO do Web Summit, Paddy Cosgrave, também falou em desafiar a hegemonia do Vale do Silício e destacou a presença de startups e palestrantes chineses no evento deste ano. “O papel do Vale do Silício declinou e o resto do mundo cresceu”, disse ele.
Existe uma expectativa de que o Web Summit aumente sua presença na Ásia, indo além de Hong Kong, local onde a organizadora já realizou o spinoff Rise, evento que deve ser reeditado no ano que vem.
À frente do Web Summit novamente, Paddy chegou a se desligar do cargo de CEO do evento em 2023, após criticar os ataques de Israel ao território palestino em resposta à ofensiva do Hamas. Na ocasião, a postagem na rede social X teve uma repercussão negativa entre a comunidade judaica, que chegou a boicotar a edição de 2024 do evento em Lisboa.
Paddy voltou ao comando do Web Summit em 2024, referindo-se ao afastamento, na época, como “a primeira folga em 15 anos”. Apesar de o assunto ter sido dado como encerrado, há quem diga que a fala do CEO ainda repercute mal.
O Web Summit Rio 2026 registrou 40.287 participantes de mais de 100 países, com 1.572 startups e 688 investidores. O evento recebeu delegações da Áustria, Cabo Verde, China, Finlândia, Portugal, Chile e Alemanha.
Atualmente, a marca tem eventos em quatro cidades: Lisboa, Rio de Janeiro, Vancouver (Canadá) e Doha (Catar).
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