
Crescer o número de startups no Brasil e ajudar aquelas que existem a escalar. Estes são dois dos maiores desafios do ecossistema de inovação B2B do País que apontam os dados do Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups 2025, lançado no final do ano passado pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups).
De acordo com o relatório, apesar da maioria das companhia ter mais de cinco anos de funcionamento (38,5%), apenas 15,4% do total está em período de expansão. Em sua maioria, as startups brasileiras se encontram em movimento de tração (28,8%), mas com perspectivas não tão otimistas para este ano, com o apetite de risco do mercado cada vez menor.
Buscando combater este cenário e atingir um marco de 100 mil startups brasileiras, sendo 100 destas unicórnios, nos próximos 10 anos, o plano da ABStartups é criar um ambiente cada vez mais fértil para a inovação. É o que conta o presidente da entidade, Lindomar Góes Ferreira. Para o executivo, a cultura empreendedora brasileira precisa mudar, principalmente dentro da academia, de onde nascem muitas empresas.
“Precisamos sair de uma cultura de science to paper (ciência para o papel) para science to market (ciência para o mercado). Hoje, toda a academia brasileira trabalha para criar TCC, dissertação, tese de doutorado. A gente quer que ela dê um passo a mais e esse conhecimento chegue ao mercado”, afirma.
A chegada, no entanto, precisa ser consistente e sustentável. Mesmo com as transformações dentro das universidades, Ferreira defende que os empreendedores vão além, tornando as startups não só produtoras de tecnologia mas vendedoras.
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Com cerca de 60% dos empreendimentos não sobrevivendo além do quinto ano de operação (dados do Observatório Sebrae Startups), o movimento de reeducação de empreendedores e tranformação de cultura, se torna ainda mais urgente diante do objetivo da associação em tornar o Brasil, o país das startups.
Passos rumo ao País das startups
Para atacar a primeira parte do problema e instigar o surgimento de novas empresas, a associação anunciou, no final de 2025, parcerias com a Universidade de São Paulo (USP) e o Sebrae. A estratégia de estar dentro de universidades para incentivar a curiosidade dos jovens em relação a este tipo de negócio foi baseada em estratégias adotadas por países como Israel, China e Hong Kong.
Além disso, a entidade fechará mais alianças ao longo de 2026. “Estamos com foco em regiões carentes deste tipo de empreendimento, como o norte e o centro-oeste. Na região norte, em especial, temos o Pacto Amazônia, que é um pacto pela inovação, no qual iremos expandir as iniciativas que foram feitas no Amapá no últimos seis anos”, conta.
De acordo com o executivo, são esses passos que possibilitarão a chegada de mais investimentos em áreas remotas do país. O presidente da ABStartups acredita que “o dinheiro vai atrás de onde tem oportunidade”, por isso, ao criar um ambiente propício para o nascimento de boas startups, os estados estariam, automaticamente, atraindo capital.
Visando que este fique no país, a entidade também tem apoiado a criação de um novo modelo de investimento, no qual o investidor possui uma garantia de seu aporte. A nova regulamentação busca reduzir o risco das grandes empresas ao apostar nos novos empreendimentos, aumentando assim, o número de investimentos. Ainda de acordo com o Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups 2025, 65,2% delas nunca recebeu nenhum aporte.
“Hoje o muro é muito alto para você investir numa startup, porque é muito risco para o investidor. E com os juros altos, o incentivo para colocar o dinheiro na renda fixa é maior. O que estamos propondo é um modelo parecido com o americano, para diminuir esse muro e o investidor se sentir atraído”, enfatiza.
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