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A corrida pela inteligência artificial (IA) vem transformando startups promissoras em estruturas esvaziadas. Em vez de aquisições tradicionais, cada vez mais vigiadas por órgãos reguladores, empresas como Google, Meta, Microsoft e Amazon têm optado por uma estratégia alternativa: investir bilhões para atrair fundadores e principais pesquisadores, reduzindo equipes e deixando investidores em incerteza.

Segundo a CNBC, um exemplo recente foi o da Windsurf, desenvolvedora de software de codificação por IA que negociava ser adquirida pela OpenAI. As conversas não avançaram e, em julho, os cofundadores aceitaram um acordo de US$ 2,4 bilhões com o Google, que envolvia a contratação da liderança e a licença da tecnologia. Para os funcionários remanescentes, a sensação foi de abandono. O então executivo, Jeff Wang, assumiu como CEO interino e relatou clima de comoção entre colaboradores que “ficaram sem nada”.

Situação semelhante ocorreu com a Scale AI, que em junho recebeu um aporte de US$ 14,3 bilhões da Meta, dobrando sua avaliação de mercado no papel. A startup de rotulagem de dados manteve-se independente, mas cortou 200 postos de trabalho logo após o anúncio.

A Microsoft já havia seguido roteiro parecido em 2024, quando absorveu os fundadores e parte da equipe da Inflection AI. No mesmo ano, a Amazon atraiu talentos da Adept e da Covariant, enquanto o Google fechou um acordo de US$ 2,7 bilhões com a Character.AI, levando seus criadores de volta ao ecossistema da Big Tech.

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O efeito “zumbi”

Para investidores de risco, que tradicionalmente apostam em trajetórias de IPO ou vendas completas, esses acordos representam uma distorção no mercado. Em vez de liquidez ampla, apenas fundadores e principais engenheiros colhem grandes recompensas, deixando empresas enfraquecidas. Samir Kumar, sócio da Touring Capital, descreveu o fenômeno como a criação de “companhias zumbis”, sem clareza sobre futuro.

Mesmo quando mantêm operações, startups perdem identidade. Funcionários da Character.AI, por exemplo, relataram queda de moral após a saída dos fundadores, embora a empresa mantenha milhões de usuários ativos e novas lideranças. Já a Covariant, que trabalhava em IA para robôs de armazém, encolheu a ponto de ser descrita por ex-colaboradores como uma “empresa fantasma”.

O movimento ganhou força após a explosão do ChatGPT em 2022, quando agências antitruste passaram a bloquear grandes fusões. A FTC, sob comando de Lina Khan, questionou aquisições como a compra da Activision pela Microsoft e tentou barrar operações menores, como o estúdio de realidade virtual Within pela Meta. Na Europa, Amazon e Adobe também sofreram freios regulatórios.

Com restrições às fusões, os gigantes de tecnologia buscaram saídas. A manutenção de participações minoritárias e contratos de licença de tecnologia permite fugir de revisões obrigatórias. Analistas descrevem esse método como um “atalho regulatório”.

Ainda assim, a FTC abriu investigações sobre os acordos da Microsoft com a Inflection e da Amazon com a Adept. Críticos, como o advogado John Tye, afirmam que os casos precisam de maior escrutínio, já que afetam concorrência e consumidores.

Impacto na inovação

Enquanto fundadores se beneficiam de propostas bilionárias, os trabalhadores que permanecem veem perspectivas de crescimento encolherem. Ex-funcionários da Covariant alegam que a estrutura dos contratos “mantém startups em suporte vitalício”, apenas para cumprir exigências financeiras.

Para investidores, uma saída seria oferecer liquidez por meio de vendas secundárias de ações, permitindo que fundadores monetizem parte de sua participação sem abandonar a empresa. Mas especialistas admitem que esses mecanismos não competem com os pacotes oferecidos pelas Big Techs.

Tom Chavez, cofundador do estúdio Superset, resume à CBNC o impacto: “Não é mais o normal dos negócios, é uma ruptura.”

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