
O Google Cloud, antes visto como uma operação deficitária na Alphabet, transformou-se em uma das divisões mais lucrativas e estratégicas do grupo. Segundo a Reuters, a unidade registrou receita superior a US$ 15 bilhões no terceiro trimestre de 2025, aumento de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pela explosão da demanda por infraestrutura e serviços de inteligência artificial.
O desempenho coloca o Google Cloud em posição de disputar o segundo posto de maior gerador de receita da companhia, hoje ocupado pelo YouTube, atrás apenas do negócio principal de publicidade em busca. “O Google Cloud é uma das prioridades mais importantes da Alphabet e terá um papel ainda mais central no futuro”, afirmou o CEO, Sundar Pichai, em entrevista recente à Reuters.
Grande parte dessa virada é atribuída à liderança de Thomas Kurian, ex-executivo da Oracle, que assumiu a divisão em 2018. Desde então, o Google Cloud dobrou sua participação de mercado, de 7% para 13%, segundo a Synergy Research Group, e conquistou clientes de peso como OpenAI, Anthropic, Apple e Safe Superintelligence.
Quando Pichai substituiu Larry Page no comando da Alphabet, em 2019, definiu duas grandes apostas: YouTube e Google Cloud. A primeira já consolidada; a segunda, ainda um desafio. Após anos de investimentos bilionários em data centers e chips próprios (TPUs), a divisão só registrou lucro pela primeira vez em 2023.
Com a corrida global pela IA generativa, o cenário mudou. A companhia se aproximou tecnicamente de rivais como Amazon Web Services e Microsoft Azure, que ainda lideram o setor com 30% e 20% de participação, respectivamente.
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Um “novo Google” sob liderança de Kurian
Kurian promoveu uma mudança profunda na cultura interna, descrita por ex-funcionários como “menos Google e mais foco no cliente”. Ele cortou custos ao abrir escritórios em regiões mais baratas, como Carolina do Norte e Polônia, revisou contratos internos e redesenhou a estratégia de vendas, agora organizada por setores, e não por regiões geográficas.
Essa guinada tornou a operação mais eficiente e alinhada ao modelo corporativo tradicional. “Antes, pedíamos apoio ao time de anúncios e ouvíamos um ‘não se meta nisso’. Hoje, estamos nas mesmas mesas de negociação que Amazon e Microsoft”, contou Josh Gwyther, ex-executivo da área, à Reuters.
De rival a parceiro
Outra mudança decisiva foi a abertura dos chips Tensor Processing Units (TPUs) para uso externo, antes restrito às equipes internas do Google. Desde 2022, o Google Cloud passou a comercializar suas TPUs diretamente, ampliando sua relevância entre os desenvolvedores de IA.
O movimento atraiu laboratórios como Anthropic, que em 2024 passou a usar os chips da Alphabet em larga escala. Em outubro deste ano, a startup, hoje avaliada em US$ 183 bilhões, expandiu o acordo para até um milhão de TPUs, um contrato estimado em dezenas de bilhões de dólares.
Kurian afirma que essa diferenciação técnica é uma das maiores vantagens competitivas do Google: “Somos o único hyperscaler com silício e modelos próprios. É um diferencial que ninguém mais tem nessa escala.”
Custos altos, ambições maiores
O crescimento acelerado vem acompanhado de um aumento expressivo nos gastos de capital. A Alphabet ampliou suas previsões de investimento para 2025, agora entre US$ 91 bilhões e US$ 93 bilhões, quase o dobro do que gastava há três anos, e Pichai já adiantou que 2026 deve registrar valores ainda maiores.
Analistas acreditam que o Google Cloud representa hoje o centro de gravidade da empresa. “É o momento que o Google Cloud esperava”, disse Dave McCarthy, diretor da IDC. “Grande parte do futuro da Alphabet passa por essa divisão.”
Apesar das preocupações do mercado com uma possível bolha de IA, Pichai mantém otimismo. “Estamos nisso há uma década e estaremos daqui a dez anos”, afirmou o executivo.
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