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Captura de tela de um computador exibindo o texto "Ask Gemini" em destaque. Abaixo, há dois botões: um com o rótulo "Deep Research" acompanhado de um ícone de lupa, e outro com o rótulo "Canvas" com um ícone que lembra uma tela de desenho. (Google)

O Google revelou que uma consulta típica ao Gemini, seu aplicativo de IA generativa, consome em média 0,24 watt-hora de eletricidade, equivalente a manter um micro-ondas ligado por um segundo. O anúncio, feito pela companhia em agosto, representa um passo de transparência no setor, mas especialistas apontam que o dado ainda não mostra a dimensão real do impacto energético da tecnologia.

De acordo com reportagem do MIT Technology Review, a estimativa do Google considera apenas consultas em texto e corresponde ao valor mediano. Isso significa que pedidos mais longos ou que utilizam modelos de raciocínio podem demandar mais energia, enquanto consultas que envolvem geração de imagens ou vídeos, não contempladas no relatório, tendem a consumir significativamente mais.

Jeff Dean, cientista-chefe do Google, afirmou que a empresa não descarta análises futuras para esse tipo de uso, mas, por ora, preferiu começar pelos prompts em texto, por serem os mais comuns.

Falta de dados sobre escala

Outro ponto crítico é a ausência de informações sobre o número total de consultas processadas diariamente pelo Gemini. O Google citou apenas o dado de 450 milhões de usuários ativos mensais, mas não revelou a quantidade de interações. Sem essa métrica, não é possível calcular o impacto agregado do produto.

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Em contraste, a OpenAI informou recentemente que o ChatGPT processa 2,5 bilhões de consultas por dia, com consumo médio estimado em 0,34 Wh por prompt. Esse volume, extrapolado para um ano, representa mais de 300 gigawatts-hora, energia suficiente para abastecer quase 30 mil residências nos Estados Unidos.

Crescente pressão sobre a infraestrutura energética

Especialistas alertam que a discussão não deve se restringir à responsabilidade individual de usuários, mas ao efeito sistêmico da expansão da IA. Um único data center da Meta, por exemplo, exigirá a entrada de dois gigawatts adicionais de gás natural na Louisiana nesta década. Já o Google Cloud investirá US$ 25 bilhões em infraestrutura de IA na rede elétrica da costa leste dos EUA.

Projeções indicam que, até 2028, a demanda anual de eletricidade ligada à IA nos EUA pode chegar a 326 terawatts-hora, gerando mais de 100 milhões de toneladas métricas de CO₂.

O dado do Google é considerado um avanço em transparência, mas analistas reforçam que ele não captura todo o quadro do impacto ambiental da IA, cada vez mais presente em buscas, redes sociais, aplicativos de mensagens e ferramentas corporativas.

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