
Em uma nova etapa na cena mineira de inovação, o Google for Startups Pop Up reuniu empreendedores e desenvolvedores em Belo Horizonte nesta sexta-feira (19) para mais uma edição do programa itinerante que leva conteúdo técnico e de negócios a ecossistemas de inovação fora do eixo paulista. Engenheiros do Google Cloud e empresários debateram como ir além dos chats conversacionais e gerar valor real com aplicações de inteligência artificial.
O evento contou com especialistas do Google para tirar dúvidas de empreendedores e apresentar casos de uso para as diferentes ferramentas da empresa, especialmente o Gemini Enterprise, a versão corporativa e mais avançada do Gemini. E as experimentações ganharam contornos reais com o aprendizado de quem cria soluções com o Gemini.
Na palestra inicial, Henrique Vieira, head de dados da Gentrop (empresa parceira do Google), explicou como o Gemini Enterprise funciona como um “hub da inteligência artificial dentro da organização”. Isso porque, na versão corporativa, o Gemini consegue trabalhar com grande volume de dados das empresas e limitar respostas ou soluções à base de conhecimento daquela organização. Ou seja, o Gemini Enterprise pode funcionar como um motor de crescimento e conexão desses dados dispersos a diferentes necessidades, produtos e serviços das empresas.
“A possibilidade do que a IA generativa consegue criar é limitada ao contexto que ela tem”, sintetizou Henrique.
O Gemini Enterprise pode conectar não só ferramentas do Google Workspace das empresas (Drive, e-mail, Cloud), mas também serviços externos como CRM e Jira, sem perder de vista a privacidade dos dados e o limite de permissões para cada usuário, o que preserva o uso seguro da IA no ambiente corporativo.
“O financeiro vai conseguir produzir o relatório dele, mas não vai conseguir perguntar qual é o salário do amiguinho que está lá no RH”, exemplificou Henrique.
O executivo citou o caso da Tembici, atendida pela Gentrop em um programa que somou 11 sessões, 194 participantes e 454 colaboradores impactados. “O segredo não é ter a melhor tecnologia. É criar as condições para que as pessoas experimentem, aprendam e construam soluções com ela”, argumentou.
A importância da cultura de experimentação foi aprofundada na apresentação de Carlos Aros, editor-executivo da MIT Technology Review Brasil. Com base em pesquisa conduzida pela publicação, Carlos resumiu o cenário paradoxal, em que 99 de cada 100 entrevistados dizem que a IA é o futuro do negócio, mas só “5% dos projetos piloto com IA têm êxito nas empresas”. Para ele, o motivo não é tecnológico. “Eles falham porque não existe um processo de integração. As empresas trabalham, majoritariamente, com a IA dentro de uma realidade de silos”, afirmou.
Uso na Justiça
A cultura de inovação é sempre coletiva, mas pode nascer de necessidades individuais, como mostra o caso de Caio Perona, fundador da MinutaIA (solução que usa IA para escrever petições jurídicas). Procurador municipal de Belo Horizonte e defensor do município em algumas das disputas mais espinhosas dos tribunais, Caio disse que a MinutaIA nasceu de uma necessidade individual para seu dia a dia.
Ele conta que criou um protótipo, sem limite de acesso por senha, e circulou entre amigos, o que explodiu o consumo de tokens na ferramenta e mostrou a viabilidade de mercado da solução. “Em 20 dias, perdi o controle e vieram R$ 20 mil de tokens para pagar, porque meus amigos começaram a usar o MinutaIA”, contou na apresentação.
Atualmente, segundo ele, a empresa consome 150 bilhões de tokens por dia, com planos que variam de R$ 140 a mais de R$ 3 mil e soluções customizadas para empresas. Ele avalia que esse consumo elevado é explicado pelo Judiciário brasileiro, em que processos digitais viraram rotina e petições prolixas, também. De acordo com o fundador, apenas este ano já foram registrados 75 milhões de processos pendentes no Brasil.
“É normal que uma decisão da Suprema Corte brasileira tenha 200 páginas. Uma decisão da Suprema Corte americana tem 4 páginas”, comparou. “Nós somos o ambiente perfeito para derreter as TPUs do Google”, brincou.
Utilizada por mais de 100 procuradorias e mais de 10 tribunais, a MinutaIA serviu de exemplo para o principal conselho de Caio a outros empreendedores: Não competir no core dos produtos com as big techs. “No Brasil, não temos capacidade de brincar de fazer modelos fundacionais”, afirmou.
Caio também argumentou que o próximo desafio era impedir que a intervenção humana seja um gargalo nesse tipo de solução, aproveitando os chamados agentes de IA. “Se você está trabalhando com agentes de IA e está escrevendo o prompt, você está errado”, concluiu.
Em entrevista ao Startups, Caio reforçou como o uso de agentes pode remover gargalos e permitir que essas soluções operem com maior autonomia e com medições que corrigem problemas rapidamente. “O que vai fazer diferença se o produto vai funcionar ou não é se ele consegue medir ali em tempo real se a sua arquitetura está funcionando bem e se o resultado está saindo como o usuário espera. Fazer essa medição na mão não funciona. Então, com loops de agentes funcionando, o desenvolvimento de uma startup acelera múltiplas vezes”, acrescentou.
E justamente para demonstrar como soluções de agentes com IA estão ao alcance de qualquer empreendedor, com interfaces amigáveis, Fernando Batagin Júnior, customer engineer do Google, apresentou os produtos da empresa articulados pelo Gemini Enterprise.
Uma dessas soluções é a Agent Platform, ambiente que permite construir, executar, escalar, governar e otimizar agentes. Em entrevista ao Startups, ele reforçou como esses agentes podem justamente melhorar a produtividade em soluções pessoais ou corporativas.
“Quando falamos de agente, falamos muito de produtividade. Eu, particularmente, não acredito que agente substitua o ser humano. É o ser humano ainda no comando, mas com muito mais produtividade”, afirmou.
O engenheiro destacou ainda a importância de ter uma infraestrutura confiável e escalável como o Google para o uso de agentes. “Não adianta você fazer um agente de sucesso se, quando o seu volume aumenta, o seu agente não acompanha”, concluiu.
Envolvido na cena de inovação mineira, Glauber Dias, gerente de inovação da FCJ Venture Builder, elogiou o evento do Google por proporcionar que startups desenvolvam soluções mais econômicas. Ele revelou especial interesses por agentes de IA. “Quando a IA está bem desenvolvida, bem treinada, ela consegue trabalhar 24 por 7, trazendo um resultado maior para a companhia”, destacou.
O post Google for Startups Pop Up agita cena mineira de inovação com soluções de IA apareceu primeiro em Startups.


