
A corrida global pela inteligência artificial (IA) está atraindo cifras sem precedentes, mas nem tudo nesse movimento é racional. Em entrevista exclusiva à BBC News, o CEO da Alphabet, Sundar Pichai, afirmou que a atual euforia dos investidores lembra ciclos de inovação anteriores e que parte do entusiasmo pode extrapolar a realidade. Para ele, mesmo gigantes consolidadas, como o Google, não estariam blindadas diante de uma eventual bolha de IA.
Segundo a BBC, Pichai reconheceu que o avanço da tecnologia vive um momento “extraordinário”, com recursos fluindo para startups e big techs em volume semelhante ao que se viu no início da internet. Ainda assim, observou que há componentes de irracionalidade nesse ambiente, especialmente quando se observa a distância entre investimentos trilionários e receitas reais de algumas empresas do setor.
O alerta surge em um contexto de forte valorização no mercado: as ações da Alphabet dobraram de preço em sete meses, atingindo US$ 3,5 trilhões. O movimento acompanha não apenas a expansão dos modelos genAI desenvolvidos pela companhia, mas também a disputa por superchips dedicados a IA, em que a empresa busca rivalizar com a Nvidia.
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Como destacou a BBC, analistas já demonstram preocupação com o volume de transações e aportes ao redor da OpenAI, que se aproximam de US$ 1,4 trilhão, enquanto as expectativas de receita da empresa seguem modestamente proporcionais. A assimetria reacendeu o debate sobre uma possível repetição da “irracional exuberância” dos anos 1990, expressão cunhada pelo então presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, para definir a bolha das pontocom.
Pichai fez uma comparação direta com aquele período, lembrando que o excesso de capital não impediu que a internet se tornasse um marco histórico. Para ele, a IA seguirá esse caminho, ainda que o percurso envolva correções e perdas no caminho. A BBC destaca que o executivo do Google avalia que nenhuma empresa estará imune, mesmo aquelas com vantagem competitiva estrutural.
Apesar da cautela, o CEO defendeu a resiliência da Alphabet, citando a junção de ativos que vão desde chips próprios até plataformas como YouTube, além de uma infraestrutura capaz de treinar modelos em escala global. Esse “ecossistema integrado”, diz ele, ajuda a suavizar eventuais impactos de volatilidade.
Energia, clima e empregos
Em sua reportagem, a BBC também destacou um ponto sensível na expansão da inteligência artificial: o consumo de energia. A demanda elétrica para treinar e operar modelos já responde por 1,5% do uso global, de acordo com a Agência Internacional de Energia. Pichai afirmou que será necessário ampliar rapidamente a infraestrutura energética, inclusive no Reino Unido, para evitar gargalos econômicos.
O executivo reconheceu que o crescimento acelerado da IA tem provocado atrasos nas metas climáticas da Alphabet, originalmente prevista para alcançar emissões líquidas zero até 2030. Ainda assim, reafirmou o compromisso e disse que o grupo intensificará investimentos em novas tecnologias de geração limpa.
No campo do trabalho, o CEO disse à BBC que a IA será o “maior salto tecnológico já visto pela humanidade”, com efeitos diretos sobre profissões em todos os setores. Segundo ele, as atividades vão passar por transição, mas aqueles que dominarem as ferramentas “terão melhor desempenho”, independentemente da área de atuação.
A entrevista também abordou os novos aportes no Reino Unido. A Alphabet prometeu £5 bilhões em investimentos até 2027, incluindo infraestrutura, pesquisa e treinamentos de modelos no país. Para o governo britânico, o movimento reforça o objetivo de consolidar o país como terceira potência global em IA.
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