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Um grande cubo azul com o logotipo branco da Intel está posicionado em frente a um edifício moderno com fachada de vidro. O cubo está em uma área externa, cercado por vegetação e delimitado por uma fita de segurança amarela. Na base do cubo, lê-se "Gordon Moore Park". Ao fundo, a entrada do prédio exibe o nome "The Moore Center", e há uma placa de trânsito com os dizeres "DO NOT ENTER".

Os Estados Unidos irão adquirir 10% de participação na Intel após o anúncio de investimento acionário de US$ 8,9 bilhões na fabricante de semicondutores. O valor é financiado por subsídios federais já aprovados pelo governo de Donald Trump.

Em sua rede social, Truth Social, Trump escreveu que este é um “grande acordo” para os Estados Unidos e para a Intel. “Produzir semicondutores e chips de ponta, que é o que a Intel faz, é fundamental para o futuro de nossa nação”, afirmou.

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O governo comprará as ações da Intel a US$ 20,47 cada. O valor está abaixo do preço de fechamento desta sexta-feira, de US$ 24,80, mas em linha com a cotação registrada no início deste mês. O conselho da Intel aprovou o acordo, que não exige aval dos acionistas.

O governo dos Estados Unidos concordou em votar a favor de deliberações da diretoria em questões que exijam aprovação. Também não terá assento no conselho da empresa.

“O foco do presidente Trump na fabricação de chips nos Estados Unidos está impulsionando investimentos históricos em uma indústria vital, essencial para a segurança econômica e nacional do país. Estamos gratos pela confiança que o presidente e o governo depositaram na Intel e esperamos trabalhar para avançar a liderança dos Estados Unidos em tecnologia e manufatura”, declarou Lip-Bu Tan, CEO da Intel, em comunicado.

No mesmo anúncio, executivos como Satya Nadella (Microsoft), Michael Dell (Dell), Enrique Lores (HP) e Matt Garman (AWS) manifestaram apoio à iniciativa. Microsoft e Amazon, vale lembrar, já haviam firmado compromissos em projetos de fabricação de chips com a Intel.

O movimento é mais um passo na política intervencionista de Trump no setor de tecnologia norte-americano. Anteriormente, Nvidia e AMD aceitaram direcionar 15% de suas receitas obtidas com as vendas de chips de IA ao governo dos Estados Unidos para receber autorização de comercializar processadores para a China.

Encontro com o presidente

As discussões sobre a aquisição de parte da Intel pelo governo dos EUA ganharam força após uma reunião entre Lip-Bu Tan e Donald Trump. O encontro foi provocado pela pressão do presidente para que Tan deixasse o cargo devido a suas ligações anteriores com empresas chinesas. Apesar disso, Trump classificou a conversa como “muito interessante”.

A Bloomberg já havia noticiado, na semana passada, que o governo avaliava comprar participação na Intel, em linha com a política de Trump de intervir diretamente em setores considerados estratégicos, como semicondutores e terras raras.

Especialistas do mercado apontam, no entanto, preocupações sobre o impacto desse tipo de intervenção no livre mercado. “As empresas estão colaborando de forma pragmática, mas veem esse cenário como possivelmente temporário”, afirmou Clark Geranen, da CalBay Investments.

Paralelo com a crise de 2008

A possibilidade de entrada do governo como acionista não é inédita. Durante a crise financeira de 2007 a 2009, os Estados Unidos compraram participação em empresas como a General Motors, posição desfeita apenas em 2013.

No caso da Intel, o apoio federal já vinha sendo expressivo. No ano passado, a companhia recebeu quase US$ 8 bilhões em subsídios para a construção de fábricas em Ohio e outros estados, projeto idealizado pelo ex-CEO da Intel Pat Gelsinger para recuperar a liderança na fabricação de chips.

Tan, entretanto, reduziu o ritmo dessas obras, preferindo alinhar a expansão à demanda real, o que pode gerar atrito com a visão de Trump de acelerar a produção doméstica a qualquer custo.

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