
A Hotmart está apostando na criação de agentes para impulsionar as receitas de creators e até mesmo dos produtos físicos na plataforma. Mas não é só isso. O interesse dos usuários pela tecnologia também abriu um novo mercado, com produtos digitais voltados ao ensino de IA tendo movimentado mais de R$ 140 milhões em 2025 na plataforma.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26), em evento promovido no escritório da empresa na Vila Madalena, em São Paulo. Segundo a pesquisa “O Impacto da Inteligência Artificial na Creator Economy”, mais de 340 mil usuários compraram cursos e soluções ligadas à IA em 2025, uma alta de 326% desde 2023. Além disso, no ano passado, cerca de 4 mil empreendedores passaram a ensinar IA na plataforma – crescimento de 260%.
Tradicionalmente associada a cursos online, e-books e outros infoprodutos, a Hotmart anunciou em 2024 sua entrada no mercado de produtos físicos. A proposta era permitir que criadores de conteúdo vendessem, além do digital, itens como livros impressos, apostilas, squeezes, colecionáveis e outros.
Segundo Paulo Vendramini, CPO da Hotmart, os produtos físicos não apenas continuam no radar, como vêm ganhando tração — impulsionados justamente pelo uso da tecnologia para simplificar etapas.
“Nossa estratégia de focar em produtos físicos está indo muito bem. Sempre que vamos criar um produto, a gente se junta com os nossos clientes. Não adianta eu ficar criando produtos que só eu acho legal. Os nossos clientes têm que achar legal. Então, o que eles estão vendo? A necessidade de estar mais perto dos próprios clientes deles, ter suas marcas representadas na casa do cliente”, explica o executivo.
Por trás dessa expansão está um desafio que, até pouco tempo, tornava o físico inviável para a maior parte dos criadores. Diferentemente do digital — em que basta liberar o acesso à plataforma —, vender um livro, por exemplo, envolve diagramação, impressão, definição de tiragem, estoque, envio e até gestão de devoluções. Para empreendedores que, em média, operam com equipes enxutas de duas ou três pessoas, assumir essa cadeia era praticamente impossível. “Se eu imprimir mil livros e vender três, o que eu faço com o resto?”, exemplificou Paulo ao detalhar os gargalos.
A saída encontrada foi usar inteligência artificial e tecnologia para simplificar esse processo. Ou seja, na prática, a Hotmart estruturou um modelo em que o criador pode transformar um PDF em livro físico sem precisar lidar com gráfica, armazenamento ou logística. A empresa assume a operação e vem expandindo o formato para novas categorias, buscando tornar a venda de produtos físicos tão simples quanto a de um curso online.
Sem citar números, o CPO ainda disse que o volume de vendas de produtos físicos tem se multiplicado, o interesse dos clientes é crescente e os investimentos na área foram ampliados — com mais times dedicados e a promessa de novidades nos próximos meses.
IA para quem vende, mas também para quem compra
O evento também contou com uma palestra conduzida por Paulo Vendramini e Gabriel Lages, Diretor de Data & Analytics da Hotmart, que detalharam como a empresa vem incorporando inteligência artificial em diferentes etapas da jornada dentro da plataforma. Segundo os executivos, o avanço dessas ferramentas tem contribuído para democratizar o acesso à tecnologia entre criadores de conteúdo, muitos dos quais operam com estruturas enxutas.
Um dos exemplos é o chamado “agente de vendas”, uma inteligência artificial treinada com o conteúdo e o tom de voz do próprio criador para interagir com potenciais compradores. Quando um cliente demonstra interesse, mas não conclui a compra, o agente pode entrar em contato para tirar dúvidas sobre parcelamento, acesso ao conteúdo ou outros detalhes — algo que, antes, exigiria uma equipe dedicada. A solução também permite atendimento em diferentes idiomas e fusos horários, ampliando o alcance global dos empreendedores e recuperando vendas que poderiam ser perdidas por falta de resposta imediata.
Do outro lado da jornada, a empresa também desenvolveu o agente de cobranças e o agente tutor. O primeiro atua tanto de forma preventiva quanto corretiva, enviando lembretes e conversando com clientes em atraso para regularizar pagamentos, sempre seguindo o estilo e os valores do criador. Já o agente tutor funciona como um assistente virtual disponível 24 horas por dia para os alunos, treinado com todo o conteúdo do curso — incluindo aulas, materiais complementares e metodologia. Na prática, ele responde dúvidas e explica conceitos, orientando o próximo passo da jornada de aprendizado.
Segundo a Hotmart, a ferramenta já interagiu com mais de 500 mil alunos e contribuiu para aumentar o engajamento e a taxa de conclusão dos cursos, ao mesmo tempo em que reduz a carga operacional dos empreendedores.
A adoção crescente desses agentes também levanta um novo desafio: como garantir que a inteligência artificial represente fielmente o criador sem gerar respostas imprecisas — as chamadas “alucinações”.
Segundo Paulo e Gabriel, a mudança exige uma nova lógica de operação para os empreendedores, que deixam de executar todas as tarefas manualmente e passam a supervisionar sistemas automatizados. Nesse cenário, a pergunta deixa de ser “como eu faço tudo sozinho?” e passa a ser: “como eu piloto a IA para me representar?” — ou seja, como configurar, treinar e direcionar esses agentes para que ampliem sua atuação sem comprometer a autenticidade ou a qualidade da experiência.
De acordo com os executivos, isso é feito por meio de uma combinação de restrições técnicas e personalização. Os agentes são treinados com base em conteúdos específicos — como aulas, materiais e comunicações do próprio criador — e operam dentro de limites definidos para evitar respostas fora desse escopo.
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