
A HP revelou um novo ciclo de ajustes em sua operação global. A companhia, conhecida por suas linhas de PCs e impressoras, comunicou que vai desligar entre 4 mil e 6 mil funcionários, redução que pode atingir 10% da força de trabalho, ao mesmo tempo em que revisa para baixo suas projeções financeiras para o próximo ano fiscal. Segundo reportagem da CNBC, a decisão responde principalmente aos custos adicionais impostos pelas atuais regulamentações comerciais dos Estados Unidos.
O mercado reagiu de imediato. As ações da HP recuaram cerca de 6% no after-market, refletindo o choque entre o desempenho recente e as expectativas mais tímidas para 2026.
Embora a empresa tenha superado as estimativas de receita e lucro por ação no último trimestre encerrado em 31 de outubro, o panorama futuro se mostrou mais cauteloso, com projeção entre US$ 2,90 e US$ 3,20 de lucro por ação ajustado, abaixo do consenso de analistas.
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A empresa destaca que as restrições comerciais norte-americanas adicionam custos relevantes à operação, afetando a cadeia produtiva e exigindo medidas de mitigação que pesam no orçamento.
Essa pressão também motivou um programa de reestruturação de longo prazo. A HP pretende concluir as demissões até o fim do ano fiscal de 2028, buscando gerar ao menos US$ 1 bilhão em economias anuais. No mesmo período, a companhia deve registrar aproximadamente US$ 650 milhões em despesas relacionadas ao processo.
PCs como motor de receita
Mesmo em meio às turbulências, o negócio de computadores continua sendo o principal pilar de receita da HP. A unidade de sistemas pessoais, que inclui desktops e notebooks, alcançou US$ 10,35 bilhões no trimestre, alta de 8% e acima do esperado pela LSEG.
O crescimento ocorre num momento em que o setor convive com pressões incomuns: o preço da memória disparou, influenciado pelo apetite crescente de provedores de nuvem e desenvolvedores de modelos de IA, como OpenAI e Anthropic.
Segundo a CNBC, o CEO da HP, Enrique Lores, afirmou que o custo da memória já representa de 15% a 18% do valor final de um PC, e as altas recentes chegaram mais rapidamente do que o previsto. Para conter parte desse impacto, a companhia vê uma oportunidade no fim do suporte ao Windows 10, que deve estimular a renovação do parque instalado. Hoje, cerca de 60% dos usuários da base da HP já migraram para o Windows 11.
No segmento de impressão, porém, o cenário é menos favorável. A receita de US$ 4,3 bilhões representa queda de 4% em relação ao ano anterior. Clientes têm adiado a troca de equipamentos, aumentando a competição por preço e pressionando margens, conforme apontou a diretora financeira Karen Parkhill.
Estratégia mira IA para produtividade e novos produtos
Apesar do contexto desafiador, a HP reforça que a inteligência artificial ganhará espaço estratégico em sua agenda. Em conversa com analistas citada pela CNBC, Enrique Lores afirmou que a empresa pretende incorporar IA em seus processos internos, no desenvolvimento de produtos e na experiência do cliente, buscando ganhos de eficiência e aceleração do ciclo de inovação.
A aposta acompanha o movimento observado em diferentes setores, que veem na IA generativa um instrumento para automatizar atendimento, apoiar desenvolvedores e expandir margens num ambiente de juros elevados e consumo enfraquecido nos EUA.
Enquanto isso, o desempenho em bolsa mostra a pressão do momento: as ações da HP acumulam queda de 25% no ano, em contraste com o avanço de 15% do S&P 500. A companhia já havia realizado uma rodada de demissões de tamanho semelhante em 2022, reforçando que o ciclo atual reflete não apenas ajustes pontuais, mas uma reorganização estrutural diante das exigências regulatórias e da corrida por competitividade.
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