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A adoção da inteligência artificial (IA) está avançando em velocidades diferentes nas organizações. Enquanto profissionais incorporam a tecnologia às próprias rotinas, as empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar ganhos individuais de produtividade em resultados coletivos. Esse descompasso foi um dos principais temas do evento Lideranças Orquestradoras de IA, promovido pela Talenses nesta quarta-feira (23).

Durante o encontro, a empresa apresentou a 17ª edição da pesquisa HR Lenses, que investiga a relação entre liderança, adoção de inteligência artificial e transformação organizacional. Segundo os dados apresentados, 44% das organizações estã no estágio inicial da adoção de IA, mas a velocidade com que a tecnologia chega aos profissionais não é acompanhada necessariamente pela evolução dos processos e das estruturas corporativas. 82% dos respondentes afirmam usar ferramentas de IA pelo menos uma vez ao dia no trabalho, gerando o que a publicação chamou de “Gap de autopercepção”: os líderes estão usando IA de forma intensa e pessoal, mas dentro das organizações, ainda não foi estruturado como a IA deve funcionar coletivamente.

Na prática, a liderança está aprendendo a utilizar a IA enquanto precisa conduzir sua implementação. O desafio passa a ser transformar esse conhecimento, muitas vezes adquirido de maneira autodidata, em produtividade, direcionamento estratégico e governança para toda a organização.

Da experimentação à transformação: como as empresas estão respondendo

Os desafios identificados pela pesquisa também apareceram nas experiências compartilhadas por executivas do Mercado Livre, Patricia Monteiro Araujo, head de Pessoas, e do Itaú, Tatyana Montenegro, diretora de pessoas, durante o evento. Em ambas as organizações, a adoção da IA vem acompanhada de investimentos em capacitação, reorganização das equipes e desenvolvimento de lideranças capazes de incorporar a tecnologia aos processos de negócio.

No Mercado Livre, a área de Pessoas identificou que seu uso de IA estava abaixo da média da companhia. Para acelerar a adoção, a empresa ampliou o acesso às ferramentas, investiu em treinamentos e criou squads dedicados ao desenvolvimento de soluções para diferentes áreas. Atualmente, segundo os números apresentados no encontro, a IA responde por 96% dos atendimentos de suporte aos colaboradores, gerando uma economia estimada em US$ 2 milhões.

Já no Itaú, a transformação digital realizada nos últimos anos ajudou a preparar a organização para a chegada da IA. O banco tem investido na capacitação das lideranças, em projetos de referência e em indicadores para acompanhar a adoção da tecnologia. A estratégia também contempla mecanismos de governança para avaliar quando a IA é, de fato, a solução mais adequada para determinado problema.

A capacitação, entretanto, ainda representa um desafio para as organizações. De acordo com o levantamento, 62% das lideranças aprenderam a utilizar IA por conta própria, enquanto 24% receberam capacitação estruturada de suas empresas. No campo da governança, 15% das organizações não adotam nenhuma forma de acompanhamento do uso de IA.

As experiências das duas companhias dialogam com os desafios identificados pela pesquisa: transformar o conhecimento individual em capacidade organizacional exige investimentos em aprendizagem contínua, integração entre tecnologia e negócio e mecanismos de governança capazes de orientar a aplicação da IA.

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