
A expansão dos data centers impulsionada pela inteligência artificial (IA) está pressionando a infraestrutura elétrica global e abrindo uma lacuna entre o que as concessionárias de energia esperam da tecnologia e o que efetivamente usam. Esse é o diagnóstico central de um novo relatório da Capgemini, empresa global de tecnologia e consultoria.
O estudo, intitulado “IA encontra a rede elétrica: moldando o cenário energético dos data centers“, foi realizado com 612 executivos seniores do setor elétrico em 21 países, incluindo o Brasil. A pesquisa também ouviu 175 executivos de organizações proprietárias e operadoras de data centers e incorporou perspectivas de cerca de 20 líderes de grandes organizações globais do setor.
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Lacuna entre expectativa e adoção
Mais de 60% dos executivos do setor elétrico esperam que a IA gere ganhos em eficiência e operações, segundo o levantamento. Na prática, porém, apenas 45% das concessionárias usam a tecnologia para otimização da rede elétrica.
A defasagem é ainda mais acentuada quando o recorte são os agentes de IA: só 16% das empresas elétricas os utilizam atualmente para otimização e confiabilidade da rede. No entanto, 58% planejam adotar essa modalidade nos próximos dois anos, de acordo com os dados da pesquisa.
O crescimento da procura por eletricidade se acelerou junto com a expansão das operações de data centers, e o relatório da Capgemini avalia que essa trajetória deve se manter nos próximos três a cinco anos.
O caminho segundo a Capgemini
O estudo aponta que as empresas do setor elétrico que combinarem modelagem de procura disciplinada com entregas mais rápidas e flexíveis, sustentadas por operações baseadas em IA e por equipes preparadas para o cenário digital, estarão em melhor posição para liderar a próxima fase de expansão dos data centers.
Claire Gauthier, vice-presidente global de Energia e Utilities da Capgemini, afirma: “O sucesso dependerá da capacidade de alinhar investimentos em infraestrutura, fornecimento de energia e operações habilitadas por IA para gerenciar tanto a escala quanto a volatilidade da procura, equilibrando confiabilidade, custo e sustentabilidade”.
A pesquisa foi conduzida na América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico e América Latina, e os resultados compõem o levantamento publicado pela Capgemini nesta quarta-feira (30).
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