
Apesar do entusiasmo crescente em torno da inteligência artificial (IA), muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar testes iniciais em aplicações concretas. Esse cenário, descrito como “purgatório de pilotos”, foi tema central da análise apresentada por Sandy Carter, COO da Unstoppable Domains, durante participação no SXSW 2026, com base em dados de mais de 450 organizações.
Segundo a executiva, o principal obstáculo não está na tecnologia em si, mas na forma como as empresas estruturam suas estratégias e integram a IA ao negócio.
Para superar esse impasse, Carter defende que o sucesso não depende apenas da escolha da ferramenta, mas de mudanças estruturais na forma como dados são organizados e utilizados. Na prática, isso significa revisar não só processos, mas também as perguntas feitas aos dados.
“É fundamental investir na governança, porque os dados são importantes para a IA, mas, se você não cuida da sua própria ‘casa’, o que acontece com esses dados?”, afirmou a executiva durante o evento.
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Liderança ativa e o fim da cultura de testes
Entre os fatores que diferenciam empresas que avançam daquelas que permanecem em testes contínuos, a postura da liderança aparece como o elemento mais crítico.
Carter aponta que organizações onde executivos utilizam IA no dia a dia apresentam maiores taxas de sucesso na adoção da tecnologia. O envolvimento direto do CEO, segundo ela, é o que separa iniciativas experimentais de projetos que geram retorno efetivo.
Nesse contexto, o foco precisa sair da ferramenta e migrar para o objetivo de negócio. Essa mudança exige clareza sobre quais problemas a IA deve resolver.
Outro aspecto relevante é a evolução dos modelos de linguagem para abordagens capazes de compreender relações de causa e efeito. Essa capacidade permite simular cenários e antecipar problemas, mas depende de uma base consistente de dados e governança.
A executiva também reforça que o valor está em tratar a IA não como um software estático, mas como um agente dinâmico. “O valor está na resposta que obtemos ao tratar a IA como um agente, e não apenas como uma ferramenta”, pontua.
IA como colega de trabalho e o peso da governança
A adoção crescente de agentes de IA também aponta para mudanças na estrutura das organizações. Na visão de Carter, esses sistemas devem ser encarados como parte da equipe, o que exige novas práticas de gestão e supervisão.
Nesse cenário, a governança tende a se tornar prioridade nos investimentos, superando até mesmo os gastos com a aquisição da tecnologia.
Para a executiva, a automação só atinge seu potencial máximo quando guiada pelo discernimento humano. Por isso, ela reforça que as pessoas continuam sendo o elemento mais crítico da equação.
“Sempre temos que começar pelas pessoas; são elas que garantirão que saibamos o que estamos fazendo com essa IA”, afirma.
Embora o debate tenha ganhado força em eventos recentes do setor, o desafio de transformar pilotos em aplicações reais já se consolida como um dos principais temas da agenda corporativa global.
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