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Dois profissionais de TI discutindo enquanto analisam informações em um laptop dentro de um data center moderno. O ambiente é iluminado por luzes azuis e cercado por servidores de alta tecnologia, com um cenário futurista e profissional, executivos, salários, empregos (Archimate, desenvolvedor)

Um estudo publicado recentemente pelo grupo de pesquisa sem fins lucrativos METR (Model Evaluation and Training Research) chamou a atenção no setor de tecnologia ao revelar que o uso de ferramentas de inteligência artificial por desenvolvedores de software pode, na verdade, torná-los mais lentos.

Segundo a pesquisa, desenvolvedores que utilizam IA levam, em média, 19% mais tempo para concluir tarefas. O dado contrasta com a percepção dos próprios profissionais, que acreditavam estar mais rápidos, antes do experimento, estimavam um ganho de produtividade de 24%; após o uso, ainda relatavam uma melhora de 20%, mesmo com o desempenho inferior.

Os autores afirmam que os resultados podem refletir limitações das ferramentas atuais, mas ressaltam a discrepância entre expectativa e realidade, especialmente no que diz respeito ao uso da IA na codificação, uma das áreas mais visadas da corrida pela inteligência artificial.

De acordo com a NBC, nos últimos meses, startups de IA focadas em geração de código atraíram atenção significativa. A Windsurf, por exemplo, foi adquirida pela Cognition após negociações com a OpenAI não avançarem. O Google chegou a um acordo de US$ 2,4 bilhões com a empresa. Já a Cursor, outra startup do setor, foi avaliada em US$ 10 bilhões após uma rodada de investimento de US$ 900 milhões em maio.

A busca por talentos em IA também está em alta. Segundo o LinkedIn, o cargo de “engenheiro de IA” é o que mais cresce entre recém-formados. Meta, empresa-mãe do Facebook, está oferecendo salários milionários para atrair profissionais da área.

No entanto, esse entusiasmo contrasta com o cenário geral do mercado: o número de vagas para desenvolvedores atingiu o nível mais baixo dos últimos cinco anos. A Microsoft, que afirmou que até 30% de seu código é gerado por IA, foi uma das empresas que anunciaram grandes cortes recentemente. Em Washington, mais de 40% das demissões da empresa ocorreram na área de engenharia de software, segundo a Bloomberg.

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Descompasso entre percepção e realidade

Ainda assim, especialistas destacam que a tecnologia enfrenta desafios significativos antes de substituir desenvolvedores de forma ampla. Um estudo do MIT apontou dificuldades da IA ao lidar com códigos mais complexos e escaláveis. “Há um longo caminho até que se cumpra a promessa de automação total”, afirmou Armando Solar-Lezama, professor do MIT e autor sênior da pesquisa.

Para alguns analistas, o enxugamento das equipes está mais relacionado a fatores econômicos do que ao avanço da IA em si. “As empresas estão buscando operar com menos pessoas para estender sua capacidade financeira”, explicou Heather Doshay, sócia da SignalFire, empresa de venture capital que investe em IA.

Apesar das limitações atuais, o tema gera ansiedade entre desenvolvedores. O site Layoffs.fyi mostra aumento no número de demissões no setor tecnológico nos últimos três trimestres, embora ainda abaixo do pico registrado em 2023. Em fóruns como o Blind, onde profissionais de tecnologia discutem anonimamente, é comum a dúvida sobre o real impacto da IA no emprego — ou se o discurso sobre automação serve de justificativa para cortes.

Para Gareth Patterson, de 25 anos, que trocou uma carreira em vendas por engenharia de software após meses intensos de estudos, o esforço valeu a pena. Mas ele reconhece que as exigências para entrar ou se manter na área aumentaram. “Hoje só os melhores estão sendo contratados. É intimidador”, relatou um engenheiro sênior de uma empresa de auditoria.

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