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Joaquim Campos, vice-presidente de Software da IBM América Latina, e Peter Polizzi, vice-presidente sênior de operações técnicas de campo da HashiCorp. Imagens: divulgação

A IBM anunciou nesta terça-feira (14) o lançamento do Centro de Excelência (CoE) da HashiCorp para as Américas em São Paulo.

A iniciativa estratégica une a expertise da IBM em inteligência artificial e automação com a plataforma de nuvem híbrida da HashiCorp para acelerar os ciclos de inovação com foco em governança e segurança. O centro fortalecerá as capacidades técnicas da IBM, apoiando os resultados dos clientes por meio de soluções como Terraform e Vault.

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A capital paulista foi escolhida como sede por ser o maior polo tecnológico da América Latina. Peter Polizzi, vice-presidente sênior de operações técnicas de campo da HashiCorp, explica que a empresa estava sob um nível de investimento menor em certos mercados globais e agora utiliza a estrutura da IBM para penetrar na região. “A HashiCorp, com base no seu tamanho, só conseguia investir em certos mercados globalmente”, afirmou o executivo. “Sendo parte da IBM, estamos aproveitando a maior pegada da companhia para realmente penetrar em mercados onde estávamos subinvestidos”.

Polizzi destaca que a presença física é vital para compreender as necessidades locais e nuances regulatórias. “Se você não for local, não entenderá as nuances e não poderá fazer parte dessa infraestrutura, se não entender os provedores de nuvem locais, os processos ou até a governança local”, reforça. Ele compara o desafio de integrar os ecossistemas das duas empresas ao desenvolvimento de novos mercados como o ato de “equilibrar quatro pratos girando com apenas duas mãos”, mas reforça que a experiência da IBM por trás da inovação é “muito empolgante”.

Eficiência operacional além do marketing

Para Joaquim Campos, vice-presidente de software da IBM América Latina, o diferencial deste centro é a entrega técnica real. O executivo defende que o ganho imediato para as empresas da região não é um conceito abstrato de sinergia, mas uma eficiência mensurável. Campos explica que, com o uso do Terraform, a infraestrutura se torna padronizada, versionada e reproduzível, o que reduz erros, retrabalho e o tempo de provisionamento em ambientes com legado e equipes reduzidas.

“Esse Center of Excellence não foi criado como um hub comercial, mas como uma estrutura de entrega técnica real”, enfatiza Campos. Diferente de outras empresas que mantêm o CoE como uma área de suporte ou back-office, Polizzi afirma que a unidade paulista é “voltada para o cliente”. “Somos um CoE de go-to-market onde a inovação, novos casos de uso e novo ROI são gerados a partir do nosso Centro de Excelência”, explica Polizzi.

Automação como barreira de proteção para a IA generativa

Com o avanço da inteligência artificial generativa, o CoE assume o papel de evitar a criação de novos silos de segurança ou o surgimento do shadow IT. A estratégia é posicionar a automação da HashiCorp como o “guardrail técnico” para que a IA escale com segurança no Brasil. Na visão técnica das empresas, um agente de IA é tratado com os mesmos princípios de segurança de uma máquina.

“As interações entre agentes serão criptografadas via Vault, garantindo um ambiente seguro desde a concepção”, explica Polizzi. Campos complementa que, ao definir infraestrutura, identidades e políticas como código, as novas aplicações de IA já nascem aderentes aos padrões de conformidade, permitindo que as áreas de negócio avancem sem criar ilhas tecnológicas fora do controle da TI. “Não vemos isso como um desvio de onde começamos”, afirma Polizzi sobre a aplicação de seus produtos em cenários de IA.

Diante do déficit de profissionais qualificados, o CoE terá um papel ativo na formação de mão de obra especializada. Polizzi vê o centro paulista como um “centro de incubação”. “Algo que saiu do CoE no Brasil pode acabar sendo usado no Japão porque foi algo inovador que surgiu deste mercado”, exemplifica. O executivo acredita que as equipes formadas nesses centros tornam-se “as mais valiosas” para a companhia por lidarem com diversos setores e desafios técnicos em alta velocidade.

O executivo garante ainda que a neutralidade tecnológica e o compromisso com a comunidade de código aberto permanecem inalterados. “Não escolhemos lados”, afirma Polizzi, reiterando que a HashiCorp continua sendo o provedor de infraestrutura de escolha para Azure, Google e AWS. A empresa registra aproximadamente 30 milhões de downloads de seus produtos por trimestre, mantendo uma relação de lealdade com sua herança técnica.

A estratégia de expansão é apoiada pelos resultados internos da própria IBM. Através da abordagem Client Zero, a companhia gerou uma economia de US$ 4,5 bilhões em produtividade globalmente entre janeiro de 2023 e o fim de 2025 por meio de IA e automação.

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