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IA, bolha

A ascensão meteórica da inteligência artificial (IA) no mercado financeiro começa a gerar preocupações entre instituições globais. Nesta quarta-feira (8), o Banco da Inglaterra e o Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiram alertas sobre o risco de uma bolha especulativa provocada pelo entusiasmo em torno da tecnologia.

Segundo o Banco da Inglaterra, e de acordo com informações da ABC News, o aumento acelerado dos preços das ações de tecnologia impulsionadas pela IA “eleva o risco de uma correção acentuada do mercado”. O relatório da instituição destacou que os atuais níveis de valorização estão “comparáveis ao pico da bolha das pontocom”, no início dos anos 2000, quando o colapso de empresas de internet levou à recessão global.

Horas depois, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, reforçou a preocupação em discurso prévio à reunião anual da entidade em Washington. “Os preços das ações estão se aproximando dos níveis vistos durante o otimismo em torno da internet há 25 anos. Se uma correção abrupta ocorrer, as condições financeiras mais restritas podem frear o crescimento mundial”, afirmou.

Especialistas também começam a identificar sinais de euforia descolada da realidade. Adam Slater, economista-chefe da Oxford Economics, destacou que a concentração das empresas de tecnologia, hoje representando cerca de 40% do índice S&P 500, e a escalada de preços acima de fundamentos reais são indícios clássicos de bolha. “Há um senso de otimismo extremo quanto ao potencial da tecnologia, apesar das incertezas sobre o que ela realmente entregará”, disse.

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Disparada nas ações e cadeia interligada

A disparada nas ações é impulsionada por uma cadeia interligada de negócios entre gigantes da IA e fabricantes de chips. A OpenAI, criadora do ChatGPT e avaliada em US$ 500 bilhões, firmou recentemente acordos estratégicos com a Nvidia, empresa mais valiosa do mundo, e com a AMD. Mesmo sem gerar lucro, a startup é vista por investidores como peça central na nova economia da inteligência artificial.

O relatório do Banco da Inglaterra cita riscos adicionais que podem frear o avanço do setor, como falta de energia elétrica, chips e capacidade de dados, além de eventuais mudanças tecnológicas que tornem obsoleta a infraestrutura atual em construção.

Enquanto isso, vozes do próprio setor tentam amenizar o tom alarmista. O fundador da Amazon, Jeff Bezos, afirmou em um evento na Itália que, mesmo que haja uma bolha, o fenômeno será “industrial, não financeira”, o que poderia gerar benefícios sociais no longo prazo. Ele comparou o momento atual à euforia da biotecnologia nos anos 1990, que acabou resultando em novos medicamentos e avanços científicos.

Bezos, no entanto, reconheceu o risco de “investimentos cegos” em meio à empolgação com a IA. “Quando há muito entusiasmo, tanto boas quanto más ideias recebem financiamento, e os investidores têm dificuldade em diferenciar uma da outra, e provavelmente é isso que está acontecendo agora”, afirmou.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, também admitiu que o mercado pode enfrentar ciclos de superinvestimento e retração. Durante uma visita a um data center no Texas, ele afirmou que “haverá decisões ruins de alocação de capital”, mas que, no longo prazo, a tecnologia impulsionará uma nova onda de crescimento econômico e avanços científicos.

Já o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou à CNBC que a OpenAI “ainda não tem recursos suficientes para comprar seus chips”, mas que o faturamento da empresa “cresce exponencialmente”. Ele acrescentou que os modelos de IA estão evoluindo de simples chatbots para sistemas com raciocínio avançado, capazes de buscar informações, cruzar dados e gerar respostas complexas.

Apesar da confiança dos executivos, analistas alertam que o excesso de otimismo pode ser insustentável. Um relatório recente da Forrester prevê que o setor enfrentará um processo de ajuste já em 2026. “Toda bolha estoura em algum momento, e a IA trocará sua coroa por um capacete de operário”, escreveu a analista Sudha Maheshwari.

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