Skip to main content

Equipe de profissionais de tecnologia discutindo projeto de software em ambiente de escritório moderno, com dois computadores e profissionais colaborando. (soft Skills, autoconhecimento)

Inteligência emocional e autoconhecimento lideram a lista das 12 competências comportamentais que os brasileiros mais buscaram aprender a desenvolver nos últimos 12 meses, segundo levantamento da escola de negócios Conquer. O estudo analisou pesquisas feitas no Google no país entre julho de 2025 e julho de 2026.

O ranking revela uma mudança na forma como profissionais encaram as chamadas soft skills, ou habilidades socioemocionais, cognitivas e comportamentais. As buscas identificadas pela Conquer não eram apenas consultas conceituais: a maioria vinha acompanhada da expressão “como desenvolver”, o que sinaliza intenção prática de aprimoramento.

Composição do ranking

As duas primeiras posições pertencem à inteligência emocional e ao autoconhecimento, competências ligadas ao controle interior e à compreensão de padrões pessoais de comportamento. Em seguida aparecem habilidades de raciocínio, como pensamento crítico e raciocínio lógico. O meio e o fim da lista concentram competências relacionais, como habilidades sociais, empatia e liderança, que ocupa a 11ª posição.

A composição reflete um movimento identificado também por relatórios globais. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta as habilidades humanas entre as mais valorizadas em cenários de rápida automação de tarefas técnicas.

“É interessante perceber que as habilidades que lideram as buscas não são necessariamente aquelas que as pessoas aprendem em um curso técnico ou na graduação, mas competências que aparecem justamente quando precisamos lidar com pressão, tomar decisões, nos posicionar, trabalhar em equipe ou atravessar mudanças”, diz Juliana Alencar, diretora de marketing da Conquer. “No fim, são essas situações que mostram que crescer profissionalmente também passa por saber lidar consigo mesmo e com os outros.”

Procura por cursos estruturados

Além das buscas gerais, o levantamento identificou interesse em formações práticas. Somente no período analisado, mais de 50 mil pesquisas de todas as regiões do Brasil foram relacionadas a termos como “curso de inteligência emocional” e “curso de autoconhecimento”, segundo a Conquer.

“O dado indica uma mudança relevante na forma como essas competências são encaradas”, afirma Juliana. “Antes tratadas como traços de personalidade, algo que o profissional ‘tem ou não tem’, elas passaram a ser vistas como o que são de fato: habilidades treináveis e passíveis de prática.”

Leia mais: IA em empresas brasileiras: 71% usam, mas só 6% integram processos

Alta nas buscas por liderança

O interesse em liderança ganhou contornos específicos no período. As buscas por “cursos de liderança e gestão de pessoas” somaram 51 mil pesquisas, com alta de 50% no Google. A procura por Mestrado em Administração de Empresas (MBA) em liderança e gestão de pessoas registrou cerca de 23 mil buscas e crescimento de 85%, o que indica que parte dos interessados busca uma formação mais longa.

O termo com o maior salto percentual do período foi “liderança operacional”, com alta de 177% nas pesquisas digitais. A expressão se refere à liderança voltada à execução cotidiana do trabalho, responsável por traduzir objetivos em ações concretas, acompanhar processos e orientar equipes.

“De fato, a primeira liderança pode ser um momento bastante desafiador, especialmente porque nem sempre quem assume esse papel recebe preparo e suporte para isso”, diz Juliana. “É comum que profissionais muito bons tecnicamente precisem, de repente, desenvolver novas habilidades para lidar com pessoas, delegar, dar direcionamento e tomar decisões que antes não faziam parte da sua rotina.”

Para a executiva, o crescimento das buscas por liderança operacional está ligado a essa necessidade de preparação. “É preciso se lembrar de que liderar não é necessariamente uma consequência automática da senioridade. Trata-se de uma habilidade que pode ser desenvolvida à medida que o profissional amplia seu repertório e encontra ferramentas para lidar com os desafios da gestão”, afirma. “Quando existe mais atenção a essa dimensão prática da liderança, a tendência é que os novos líderes se sintam mais preparados para traduzir os objetivos da empresa em decisões no dia a dia.”

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!