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Internacionalização | Foto: Canva

*Fabiano Rocha é CEO e fundador da Jumpstart

A internacionalização de empreendedores brasileiros vem ganhando espaço crescente em reportagens e discussões recentes, impulsionada por uma combinação de fatores que vão desde o acesso à capital até a busca por ambientes mais consolidados de inovação. Esse movimento de internacionalização fez com que vistos, hubs de tecnologia e estratégias de expansão internacional passassem a fazer parte do vocabulário cotidiano de quem empreende no país.

O tema gerou reações que, por si só, ajudam a ilustrar essa dinâmica. Entre elas, a de um founder brasileiro que reduziu a conversa a duas palavras, um comentário que sintetiza menos uma opinião isolada e mais uma sensação compartilhada por parte desse ecossistema: a de que a trajetória de muitos fundadores já não se limita a uma única geografia.

O visto O-1 e a expansão internacional de empreendedores brasileiros

Por trás dessa percepção, há um dado que raramente entra no debate público com a mesma intensidade das narrativas individuais. O Brasil está entre os seis países com maior volume de pedidos do visto O-1, voltado a profissionais com habilidades extraordinárias e frequentemente utilizado por empreendedores brasileiros que desejam operar nos Estados Unidos com mais flexibilidade e segurança jurídica. A taxa de aprovação global chega a 93,8%, enquanto o índice de questionamentos do USCIS caiu para 18,7%, o menor nível da última década.

Apesar disso, o significado do visto O-1 ainda é frequentemente interpretado de forma restrita. Em muitos casos, ele é visto como um passaporte de saída quando, na prática, funciona mais como uma estrutura de expansão do que de ruptura. A internacionalização de empreendedores não significa necessariamente abandonar o Brasil ou encerrar vínculos locais, mas ampliar a capacidade de circulação entre mercados, reduzindo fricções legais e operacionais em um ambiente onde presença física e relacionamento ainda têm peso relevante.

Internacionalização de empreendedores não é êxodo: é atuação dupla

Essa diferença de leitura ajuda a explicar por que o movimento de internacionalização de empreendedores brasileiros não pode ser entendido apenas como êxodo. Em muitos casos, o que se observa não é a substituição de um mercado por outro, mas a construção de uma atuação dupla onde o Brasil segue como base operacional e o Vale do Silício funciona como extensão estratégica.

O valor da previsibilidade para quem opera em mais de um país

Nesse modelo, o valor do visto deixa de estar apenas na permanência e passa a
estar na previsibilidade. Ele permite que o empreendedor esteja onde a
oportunidade exige, sem depender de soluções improvisadas ou restrições de curto
prazo, o que altera de forma significativa as relações com investidores, parceiros e
programas de aceleração construídos. Para empreendedores brasileiros que atuam
no Vale do Silício, essa flexibilidade é um diferencial competitivo real.

A internacionalização como parte da arquitetura do negócio

O que emerge desse cenário é menos uma história de deslocamento e mais uma mudança de estrutura. A internacionalização de empreendedores deixa de ser um evento pontual e passa a ser parte da própria arquitetura do negócio, reposicionando não apenas onde os fundadores estão, mas como eles operam. Internacionalizar, portanto, já não é sair do Brasil: é operar em mais de um lugar ao mesmo tempo.

O post Internacionalização: operar em mais de um lugar ao mesmo tempo apareceu primeiro em Startups.