
Um grupo de investidores de varejo da Samsung Electronics iniciou uma campanha para convocar uma assembleia geral extraordinária com o objetivo de ampliar o programa de recompra de ações da companhia e revisar a política de remuneração de executivos. A iniciativa reflete a crescente pressão de acionistas por medidas que aumentem o retorno ao investidor em um momento de recuperação do mercado de semicondutores. Segundo a Reuters, os organizadores pretendem reunir o número mínimo de ações necessário para formalizar o pedido de convocação da assembleia.
O movimento é liderado pela associação de investidores Korea Stockholders Alliance (KSA), que afirma representar milhares de acionistas individuais da fabricante sul-coreana. Entre as propostas está a aprovação de um novo programa de recompra de ações, além da revisão dos bônus pagos à alta administração da empresa.
De acordo com a Reuters, a KSA argumenta que a Samsung dispõe de caixa suficiente para ampliar a remuneração aos acionistas e que a empresa deveria acelerar medidas voltadas à valorização de suas ações, que, na avaliação do grupo, permanecem negociadas abaixo de seu potencial.
A Samsung já vem adotando iniciativas para aumentar o retorno aos investidores. Em novembro de 2025, a companhia anunciou um programa de recompra de ações de aproximadamente 10 trilhões de won (cerca de US$ 7 bilhões à época), dividido em diferentes etapas. Parte dos papéis adquiridos foi cancelada, reduzindo o número de ações em circulação.
Mesmo assim, parte dos investidores considera que os esforços ainda são insuficientes diante da posição financeira da empresa e da expectativa de recuperação dos resultados impulsionada pela demanda por chips voltados à inteligência artificial.
Segundo a Reuters, o grupo também pretende submeter à votação mudanças na política de bônus da administração, defendendo que a remuneração variável esteja mais diretamente vinculada ao desempenho das ações e à geração de valor para os acionistas.
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Para que a assembleia extraordinária seja convocada, a legislação sul-coreana exige que o pedido seja apresentado por acionistas que detenham uma participação mínima na companhia por determinado período. A KSA informou à Reuters que está mobilizando investidores para atingir esse requisito.
A Samsung não comentou especificamente as propostas apresentadas pelo grupo, mas afirmou, segundo a Reuters, que mantém diálogo com seus acionistas e continua comprometida com políticas de retorno de capital anunciadas anteriormente.
A discussão ocorre em um momento importante para a fabricante sul-coreana. A empresa busca recuperar competitividade em segmentos estratégicos, especialmente na produção de chips avançados para inteligência artificial, após enfrentar dificuldades para acompanhar concorrentes em áreas como memórias de alta largura de banda (HBM), utilizadas em aceleradores de IA.
Ao mesmo tempo, a Samsung continua investindo em novas tecnologias de semicondutores e fabricação avançada, enquanto tenta equilibrar investimentos de longo prazo com a demanda crescente dos investidores por distribuição de capital.
Segundo a Reuters, o caso ilustra uma mudança gradual no perfil do mercado acionário sul-coreano, onde investidores individuais têm ampliado sua atuação em pautas relacionadas à governança corporativa, remuneração de executivos e políticas de distribuição de caixa. Nos últimos anos, empresas do país vêm sendo pressionadas por acionistas e pelo próprio governo a adotar medidas para reduzir o chamado “Korea Discount”, termo utilizado para descrever o desconto histórico aplicado às ações de companhias sul-coreanas em relação a empresas de outros mercados desenvolvidos.
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