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Três pessoas sentadas em cadeiras, participando de uma conversa em grupo. A pessoa ao centro gesticula com as mãos enquanto fala, usando camisa clara e calça ampla. À esquerda, uma pessoa com blusa verde e jeans escuros escuta atentamente; à direita, outra pessoa veste jaqueta jeans clara sobre camisa branca. Ao fundo, há plantas e cortinas, sugerindo um ambiente acolhedor e de diálogo, como uma sessão de apoio ou reunião colaborativa. (janeiro branco)

Por Alexandre Fleury

Durante muito tempo, saúde mental foi tratada pelas empresas como um tema periférico, restrito a campanhas de conscientização ou iniciativas pontuais de bem-estar. A disseminação do Janeiro Branco ajudou a ampliar esse debate e o ano de 2026 marcará uma virada definitiva: o cuidado com a saúde mental deixa de ser apenas uma pauta cultural e passa a integrar o campo da gestão de riscos e da responsabilidade legal das organizações.

A mudança está diretamente ligada à atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as disposições gerais de segurança e saúde no trabalho. A partir de maio, a norma passa a exigir que as empresas identifiquem, avaliem e gerenciem também os riscos psicossociais, como estresse crônico, sobrecarga, assédio e fatores organizacionais que impactam o equilíbrio emocional dos profissionais, tudo isso dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Esse avanço regulatório ocorre em um momento especialmente sensível para setores de serviços, como o das consultorias de TI. Trata-se de um ambiente naturalmente caracterizado por alta pressão de clientes, prazos curtos, múltiplas frentes de entrega, viagens frequentes e cobrança constante por performance. Na prática, esse modelo impõe uma combinação de pressão física e psicológica que, quando não gerenciada, se traduz em aumento de afastamentos, queda de produtividade, rotatividade e riscos reputacionais.

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A NR-1 explicita algo que o mercado já vinha sentindo: os riscos à saúde mental não são subjetivos nem individuais, eles são organizacionais e decorrem de modelos de trabalho, estilos de liderança, processos mal dimensionados e culturas orientadas exclusivamente a resultado de curto prazo. Ao incluí-los formalmente no escopo do gerenciamento de riscos, a norma exige das empresas uma abordagem mais estruturada, baseada em diagnóstico, prevenção e monitoramento contínuo.

Para consultorias de TI, essa exigência representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. O desafio está em rever práticas consolidadas, como jornadas extensas, alocação sem alinhamento estratégico com o cliente simultânea em múltiplos projetos, pressão por disponibilidade permanente e falta de acompanhamento técnico. A oportunidade está em reconstruir modelos de gestão mais sustentáveis, capazes de equilibrar performance, engajamento e saúde organizacional, fatores que são cada vez mais relevantes para o engajamento de talentos e a competitividade.

O prazo até maio impõe urgência. Adequar-se à NR-1 não significa apenas atualizar documentos ou cumprir formalidades legais. Significa integrar áreas como liderança, RH, segurança do trabalho e tecnologia para mapear riscos psicossociais reais, rever indicadores de desempenho e criar ambientes nos quais o diálogo sobre saúde mental seja parte da governança corporativa.

Janeiro Branco, nesse contexto de NR-1, deixa de ser apenas simbólico. Ele reforça uma agenda que agora é permanente. Empresas que tratarem saúde mental como estratégia estarão mais preparadas para enfrentar um cenário de alta complexidade, escassez de talentos e crescente escrutínio regulatório.

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