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Dileep Thazhmon, fundador e CEO da Jeeves
Dileep Thazhmon, fundador e CEO da Jeeves (Foto: Divulgação)

A Jeeves, fintech internacional de conta e pagamentos B2B, fez uma importante mudança estratégica em 2026, ajustando seu modelo para blockchain e o uso nativo de stablecoins. Agora, para reforçar essa aposta, ela acabou de fazer uma rodada, no valor de US$ 110 milhões.

A nova rodada, liderada pela CoinFund, será usada para espalhar essa infraestrutura por mais mercados e para desenvolver produtos adicionais em cima dela. Também entraram no deal AllianceBernstein, Andreessen Horowitz, Coinbase Ventures, CRV, GIC (fundo soberano de Singapura), Global PayTech Ventures, ParaFi, Vista, Wintermute e Y Combinator. A companhia não abriu o valuation.

O destino do dinheiro está dividido em duas frentes. A primeira é geográfica: o cartão corporativo em stablecoins passa de 25 para 35 países, com a entrada de Argentina, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Panamá, Peru, Paraguai e Uruguai. Para dar conta do avanço na Europa, a fintech também vai abrir um escritório em Madri. No Brasil, a Jeeves já tem operação em São Paulo desde 2024.

A segunda é de produto. A Jeeves lançou junto com a rodada uma carteira proprietária de stablecoins capaz de enviar pagamentos para 190 países, e tem na fila uma ferramenta de monitoramento global de gastos com IA e um módulo de contas a receber. A ideia é que o cliente deixe de operar com um banco por mercado e de gerenciar essa complexidade com planilhas e ferramentas externas.

A rodada vem no rastro de um ciclo forte de crescimento. O volume total transacionado pela fintech triplicou em um ano e chegou a US$ 5 bilhões anualizados. A receita cresceu quatro vezes em 14 meses. O dado mais relevante, porém, é o da nova infraestrutura: o volume liquidado em stablecoins está em US$ 1,5 bilhão anualizados, saindo de praticamente zero oito meses antes.

Do cartão ao “banco nativo em stablecoin”

A Jeeves nasceu e cresceu como fintech de cartão corporativo e gestão de despesas para empresas multimercado. Hoje se apresenta como plataforma bancária nativa em stablecoin, com cartões físicos e virtuais, contas a pagar, pagamentos de tesouraria e gestão de gastos rodando sobre liquidação que acontece em minutos, mais agentes de IA cuidando de reconciliação.

Apesar de não abrir o número exato, a fintech destaca que atende milhares de empresas, entre elas BMW, H&M, Lululemon, Burger King, Kavak e a brasileira XP. Mais de 80% delas usam mais de um produto da companhia.

“Construímos a Jeeves como uma plataforma bancária sobre trilhos de stablecoin porque é a única forma de dar às empresas a mesma velocidade e estrutura de custo movendo dinheiro entre São Paulo e Berlim que elas têm transacionando dentro de um só país”, afirma Dileep Thazhmon, fundador e CEO da Jeeves.

Estratégia no Brasil

Apesar de não falar especificamente de como o aporte deve impactar a operação brasileira, a Jeeves fez anúncios estratégicos para o país nos últimos meses. No início de 2025, a fintech entrou no mercado de crédito para viagens corporativas e já dizia que o país estava no “top five” dos seus mercados. Em janeiro, anunciou uma rota de stablecoins entre Brasil e Estados Unidos.

Em abril deste ano, a fintech lançou a carteira digital e anunciou que o cartão corporativo lastreado em stablecoin começaria pela Argentina e chegaria ao Brasil até o fim daquele trimestre, com uso inicial para pagamentos nos Estados Unidos. A promessa era destravar pagamento no exterior para empresa sem presença lá fora, de forma instantânea e sem IOF.

Na época, o CEO da Jeeves no Brasil, Gustavo Gorenstein, projetou que a operação local cresceria quatro vezes em cerca de um ano e não economizou na ambição. “O Brasil vai virar o maior mercado da Jeeves em pouco tempo. É o que mais tem crescido”, disse ao Startups. Sobre o ceticismo que ainda ronda o tema entre empresários brasileiros, resumiu: “Stablecoin é só o meio, só que mais barato e mais rápido”.

O post Jeeves levanta US$ 110M para impulsionar tese com stablecoins apareceu primeiro em Startups.