
Após alcançar mais de R$ 50 milhões em receita anual, a Jusfy encerrou 2025 superando as próprias expectativas de crescimento. Segundo Rafael Saccol Bagolin, fundador e CEO da legaltech, a empresa registrou alta de aproximadamente 118% no faturamento ao longo do último ano, ultrapassando a meta inicialmente estabelecida pela companhia.
O avanço ocorre em meio à expansão da própria Jusfy. Em sua última rodada de captação, realizada em março de 2025, uma pre-Series A liderada pela SaaSholic, com participação da Maya Capital, Norte Ventures, FJ Labs e The Legal Tech Fund, a legaltech foi avaliada em cerca de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 180 milhões). Os recursos foram destinados principalmente ao desenvolvimento de novos produtos da plataforma, incluindo soluções baseadas em inteligência artificial.
A empresa também estuda lançar uma fintech voltada a advogados — iniciativa revelada pelo Startups em agosto do último ano e inicialmente prevista para setembro do mesmo ano —, mas o projeto ainda não foi lançado e a companhia não divulgou um novo cronograma para a estreia da solução.
Nesse contexto de crescimento e ampliação do portfólio, Rafael afirma que o desempenho da empresa também acompanha uma transformação mais ampla no setor jurídico. Em entrevista ao Startups, o fundador preferiu não detalhar o valor exato do faturamento alcançado no último ano, mas destacou que o resultado reflete a crescente digitalização do mercado, com advogados buscando ferramentas capazes de trazer mais agilidade e eficiência à rotina dos escritórios.
“O Brasil tem cerca de 1,5 milhão de advogados, e aproximadamente 87% atuam sozinhos ou em pequenos escritórios. A gente aposta que o futuro da IA é esse: advogados individuais ou pequenos escritórios, se tornando superpoderosos através da IA. Nossa visão é que o advogado não vai morrer, vamos fazer ele ficar superpoderoso”, afirma o executivo.
Para sustentar o mesmo ritmo de expansão, a Jusfy também projeta novas metas de crescimento para este ano. Segundo Rafael, a expectativa da empresa é elevar novamente a receita recorrente em cerca de 80% em 2026, mantendo a trajetória acelerada observada nos últimos períodos. “Se a gente fizer a matemática pura, daria para chegar perto de dobrar novamente, mas nossa expectativa mais realista hoje é crescer algo entre 80% e 90%”, afirma o executivo.
Parcerias com a OAB impulsionam expansão
Para treinar e aprimorar uma tecnologia própria (JusGPT), a Jusfy estruturou uma base de dados com centenas de milhões de processos judiciais, além de contar com o uso contínuo da ferramenta por sua comunidade de clientes. “Hoje temos mais de 50 mil assinantes que utilizam a plataforma o dia inteiro. Esse uso constante também ajuda a melhorar a IA, criando um ciclo de evolução contínua”, explica Rafael.
O crescimento da empresa também foi impulsionado por parcerias institucionais, como um acordo firmado com a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Minas Gerais, que passou a disponibilizar licenças da tecnologia para advogados do estado. O mesmo aconteceu na OAB do Rio de Janeiro, com um acordo firmado nesta terça-feira (03).
Ainda segundo o fundador, a estratégia de firmar acordos com unidades da OAB faz parte do plano da Jusfy de ampliar o acesso às ferramentas de inteligência artificial entre profissionais do direito em todo o país. Com as parcerias estabelecidas com Minas Gerais e Rio de Janeiro — duas das maiores representações da entidade — a empresa passa a ter potencial de alcance entre mais de 400 mil advogados, número que representa uma parcela significativa da advocacia brasileira.
O movimento também tem despertado o interesse de outras representações da OAB, que já procuraram a empresa para discutir possíveis colaborações semelhantes. A expectativa é que novas parcerias sejam firmadas gradualmente, à medida que as negociações avancem e os processos internos das instituições sejam concluídos.
A inteligência artificial da Jusfy, chamada JusGPT, foi desenvolvida para apoiar advogados em diferentes etapas do trabalho jurídico. A ferramenta é capaz de gerar petições e documentos legais, realizar a leitura de arquivos para auxiliar na elaboração de peças e oferecer respostas rápidas para dúvidas do dia a dia com base em IA especializada no setor.
A tecnologia também permite acompanhar mudanças legislativas, interpretar leis e doutrinas e até comparar diferentes teses jurídicas e legislações, funcionando como um “assistente digital” para profissionais do direito.
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