
Uma juíza federal dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a aquisição de US$ 110 bilhões da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. A decisão, tomada nesta segunda-feira (20) pela juíza Araceli Martínez-Olguín, responde a uma ação movida por uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais que argumenta que a operação prejudicaria a concorrência no setor.
A pausa tem duração de 14 dias e veio após audiência realizada na semana anterior, com argumentos de ambos os lados. A coalizão, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, pode pedir uma nova prorrogação depois desse prazo, o que adiaria ainda mais o fechamento do negócio.
“Esta é uma vitória crítica inicial em nosso caso para garantir que essa megafusão nunca veja a luz do dia”, afirma Rob, em comunicado. “A história mostra o que acontece quando poucas pessoas têm grande poder sobre mercados centrais para a vida dos norte-americanos: menos oportunidades para mais pessoas, produtos e serviços piores para todos. Com nossa ação, estamos lutando por um mercado livre e justo e por uma indústria de cinema e televisão próspera, que sirva criadores e público. Temos o tanque cheio, a lei ao nosso lado e seguimos confiantes em nosso argumento.”
O que a ação questiona
Segundo a ação movida pelos estados, a compra prejudicaria cinemas, distribuidoras básicas de TV a cabo e o público. Os procuradores argumentam que a união das duas empresas reduziria a concorrência em três frentes: distribuição de filmes em lançamento amplo nos cinemas, distribuição de filmes de maior bilheteria e licenciamento de canais básicos de TV a cabo.
Streaming e portfólio de canais
Se concluída, a aquisição unirá dois dos principais estúdios de cinema dos Estados Unidos, além das plataformas de streaming Paramount+ e HBO Max, que já haviam anunciado planos de se fundir em um único serviço assim que o negócio com a Warner Bros. Discovery fosse concluído. A operação também pode criar um dos maiores portfólios de canais de TV do país, reunindo a CBS e a MTV, da Paramount, com a CNN e a HBO, da Warner Bros. Discovery.
Em maio, o CEO da Paramount, David Ellison, disse que a transação estava no caminho para ser concluída até setembro. O obstáculo judicial agora ameaça atrasar os planos da empresa de se transformar em uma concorrente relevante da Netflix.
Próximos passos
A proposta de aquisição já vinha sendo alvo de questionamentos por parte de cineastas, atores e profissionais da indústria, que argumentam que o negócio reduziria a concorrência e aprofundaria a concentração da indústria de mídia norte-americana. A Paramount, por sua vez, tem defendido a operação como “pró-competitiva” perante a Justiça.
A juíza Araceli marcou para o dia 3 de agosto a audiência sobre o pedido de liminar preliminar movido pelos procuradores-gerais — decisão que, se concedida, pode suspender a aquisição por tempo indeterminado enquanto o processo segue tramitando. A Paramount pediu que essa audiência conte com depoimentos de testemunhas e espera obter uma decisão até o início de setembro.
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