Skip to main content
Centro de Suporte a Entregadores Parceiros da Keeta, localizado em São Paulo | Foto: Divulgação
Centro de Suporte a Entregadores Parceiros da Keeta, localizado em São Paulo | Foto: Divulgação

A Keeta, app de delivery da chinesa Meituan, adiou sua entrada no mercado carioca, inicialmente programada para março. Segundo a companhia, cláusulas de exclusividade impostas por concorrentes, como 99Food e iFood, geraram um ambiente concentrado, dificultando a atuação da empresa no Rio de Janeiro.

Apesar do adiamento, a companhia deixou claro que os planos de expansão permanecem e manteve a projeção de investir R$ 5,6 bilhões no país em cinco anos. Neste momento, porém, a empresa planeja focar em “resolver questões estruturais que impedem uma competição saudável no segmento de delivery de comida no Brasil”.

Os porta-vozes Tony Qiu, presidente de Operações Internacionais da Keeta, e Danilo Mansano, VP de Parcerias Estratégicas na Keeta, estiveram no Rio de Janeiro para conversar com jornalistas nesta quinta-feira (26).

“O mercado brasileiro de delivery é disfuncional, com uma das empresas concentrando 80% desse setor. Estamos comprometidos a promover um ambiente de negócios mais saudável no país”, disse Tony, em entrevista ao Startups.

A Keeta havia planejado um investimento de R$ 400 milhões na sua operação do Rio de Janeiro, e já tinha cerca de 17 mil restaurantes interessados em atuar na plataforma. Segundo os executivos, dos 800 estabelecimentos com classificação de cinco estrelas, mais da metade tinha acordos de exclusividade com outros apps.

“Nosso plano era lançar o app no Rio de Janeiro na semana que vem. Estávamos trabalhando nisso há seis meses. Mas os usuários abririam o app e não encontrariam seus restaurantes favoritos”, afirma Tony.

A Keeta deu início às suas operações no Brasil em outubro do ano passado, começando pelas cidades de Santos e São Vicente, no litoral paulista. Em dezembro, a companhia anunciou sua chegada à Grande São Paulo, com presença na capital paulista e em mais 8 cidades do Estado.

Desde seu lançamento em São Paulo, o aplicativo da Keeta foi baixado mais de 2,8 milhões de vezes, e a base de restaurantes cresceu cerca de 40%, passando para quase 38 mil lojas. O principal obstáculo para a expansão da companhia, segundo os executivos, são as barreiras de exclusividade, que teriam impactos em quase 50% das grandes redes de restaurantes no Brasil.

“Quando conversamos com restaurantes, eles se mostram abertos e têm interesse que haja maior concorrência. Diversos mercados ao redor do mundo têm três players no segmento de delivery: China, Estados Unidos. A competição é saudável”, diz Tony.

A entrada da gigante chinesa no Brasil acirrou a competição no mercado de delivery, até então dominado pelo iFood, e que em 2025 ganhou também a concorrência da 99 – controlada pela chinesa DiDi Chuxing.

A Keeta chegou a entrar na Justiça contra a 99Food por concorrência desleal, acusando a rival de incluir “cláusulas de bloqueio” nos contratos. No processo, a Keeta afirma que a 99Food abordou mais de 100 redes de restaurantes no Brasil, oferecendo pelo menos R$ 900 milhões em pagamentos antecipados para que assinassem contratos, em que uma das cláusulas previa a recusa em fazer parte do app da Keeta.

No meio da guerra dos apps, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu instaurar um processo administrativo para monitorar de perto esse mercado, com o objetivo de “prevenir infrações da ordem econômica”. Segundo a Keeta, porém, a investigação ainda não gerou resultados práticos no mercado.

Perguntado sobre a possibilidade de um acordo com as concorrentes, o presidente de Operações Internacionais da Keeta disse que o diálogo com esses players “é desafiador”. “Vamos tentar colaborar, mas se o propósito é tentar evitar a nossa entrada, é difícil”, afirma.

O post Keeta adia chegada ao Rio e alega concentração de mercado apareceu primeiro em Startups.