
A Koinz, plataforma de capital intelectual para startups, fechou um novo aporte na DA2, insurtech focada na distribuição de seguros para pequenas e médias empresas. O investimento, porém, não envolveu dinheiro em caixa. Em troca de equity, a startup recebeu acesso a um conselho formado por executivos seniores, mentorias estratégicas e conexões de mercado.
O modelo da Koinz funciona como uma rede de conhecimento. Profissionais com passagem por grandes corporações dedicam horas de mentoria, reputação e networking às empresas do portfólio. Esse conjunto de contribuições é precificado em cerca de R$ 500 mil — valor equivalente ao aporte, mas sem transferência financeira direta. Em contrapartida, a Koinz recebe equity na startup, com participações que não ultrapassam 5%.
Para Thiago Fernandes, fundador e CEO da DA2, a tese apareceu no momento certo. Fundada em setembro de 2023, a insurtech ainda está em fase pré-go-to-market e buscava, antes de ir ao mercado, ganhar credibilidade e ampliar o acesso ao setor. “Faz muito mais sentido estar assessorado por grandes executivos que vão me trazer questionamentos, melhorar o modelo de negócio e abrir portas em seguradoras”, afirma o executivo, em entrevista ao Startups.
Mentoria em troca de participação
O board formado para a DA2 reúne executivos com trajetórias em tecnologia, finanças e saúde. Entre os nomes estão Carla Daprile, com passagens por Ford, ArcelorMittal e Leadec; Evelyn Kelman, ex-IBM; Lelio Jr., com experiência em Afya e Accenture; Regina Botter, ex-Visa e Webmotors; e Thiago Amaral, com trajetória em LifeCenter e PwC.
A diversidade de perfis foi uma escolha deliberada. “Quando montei o board, pedi para que as pessoas fossem de segmentos variados, porque queria ter uma visão 360. Cada pessoa é complementar”, explica o CEO da DA2.
A seleção dos conselheiros passa por um processo estruturado pela Koinz. As startups fazem um pitch para o grupo de executivos disponíveis; os interessados se candidatam e, na sequência, a plataforma faz o matching entre os perfis e os objetivos da startup. A decisão final sobre a composição do board fica com o fundador. “A gente precisa de engajamento dos dois lados”, diz Henrique Valicente, gestor de portfólio da Koinz Capital.
O modelo prevê ainda remuneração futura para os conselheiros. Cada hora dedicada à empresa é registrada em uma plataforma própria da Koinz e, em caso de evento de liquidez, os executivos recebem retorno financeiro proporcional ao tempo investido. “A gente faz com que o conselheiro não só invista o tempo dele, mas tenha retorno, o que em muitas redes não acontece”, pontua Henrique.
Para ele, o modelo de capital intelectual não compete com o venture capital tradicional, mas atua de forma complementar. “A gente acredita que ter pessoas de renome, com conhecimento e conexões para abrir portas, é positivo em qualquer cenário”, afirma.
A plataforma também apoia startups do portfólio nos processos de captação, conectando as empresas a potenciais investidores.
O problema que a DA2 quer resolver
A DA2 mira um mercado com desafios estruturais. Segundo Thiago Fernandes, 82% da população brasileira não possui seguro de vida — e, entre os que possuem, 58% recebem o benefício por meio do empregador. A plataforma foi desenvolvida para facilitar a distribuição desses produtos por corretores que atendem PMEs.
O produto cruza dados públicos de CNAEs, convenções coletivas e cadastros empresariais para identificar quais companhias têm obrigação legal de oferecer determinados seguros aos funcionários. A partir disso, gera leads qualificados e entrega ao corretor uma lista indicando o que vender, para quem e em qual momento. “Por meio dos dados, conseguimos monitorar 19 mil sindicatos, identificar quais empresas têm convenções coletivas que exigem seguro e entregar ao corretor uma lista pronta com potenciais clientes”, descreve Thiago.
Do lado operacional, a proposta é reduzir etapas burocráticas do processo de contratação. Segundo a empresa, uma jornada de cadastro e emissão — que pode levar até 40 dias em seguradoras tradicionais — é concluída em até cinco minutos via WhatsApp. Já a geração de cotação e emissão de proposta ocorre em três cliques, com motor de cálculo operando em milissegundos.
Próximos passos
A DA2 ainda não entrou em operação plena. Para o segundo semestre de 2026, a prioridade é fechar parceria com uma seguradora — responsável por definir os produtos distribuídos pela plataforma — e estruturar o time. O plano é acelerar o go-to-market em 2027, com atuação nacional.
A estratégia de expansão geográfica ainda será alinhada com a parceira. Embora a plataforma tenha capacidade técnica para operar em todo o país, a companhia pode optar por iniciar a operação em regiões específicas antes de um rollout completo.
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