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Lifar

O Lifar, laboratório do Grupo Panvel, está digitalizando processos da operação industrial para sustentar a meta de dobrar o número de lançamentos nos próximos dois anos. A companhia prevê encerrar 2026 com 200 novos produtos e chegar a 400 lançamentos em 2028.

Com 57 anos de operação e uma fábrica em Porto Alegre, o Lifar atua principalmente no desenvolvimento e fabricação de cosméticos, produtos de higiene e beleza para marcas próprias. A empresa tem mais de 600 unidades de manutenção de estoque (SKUs) em produção e atende a Panvel, seu maior cliente, além de outros varejistas e empresas.

A transformação tecnológica inclui a implementação de um sistema de gerenciamento de armazém (WMS), a digitalização das ordens de produção, o desenvolvimento interno de sistemas e novas ferramentas para acompanhar estoques e processos industriais.

Os primeiros resultados aparecem no almoxarifado. Segundo dados enviados pela companhia ao IT Forum, a produtividade no recebimento de mercadorias aumentou 23% após a implementação do WMS. Nas movimentações internas, que incluem armazenamento, separação e envio de materiais para a produção, o ganho foi de 10,2%.

A comparação considera os quatro meses anteriores ao início do projeto e os quatro meses posteriores à implementação. O WMS ainda não está totalmente implantado. A companhia espera que o avanço do projeto aumente principalmente a previsibilidade, a assertividade e a acurácia dos estoques. O último indicador será mensurado a partir do próximo inventário.

“A tecnologia é o meio com que vamos conseguir chegar nesse objetivo do futuro”, afirma Rodrigo Shinope, responsável pelo time envolvido no desenvolvimento das soluções. Segundo ele, a operação anterior não permitiria sustentar a escala planejada para os próximos anos.

Leia também: IT Forum Na Mata CIO: Indisa prioriza governança e testes para manter operação

Recuperação e modernização

Após ser afetado pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o Lifar iniciou a recuperação de sua operação, com uma reestruturação que incluiu a modernização de máquinas, equipamentos e processos. Entre 2024 e 2025, a companhia investiu R$ 20 milhões nesse processo, com recursos destinados à aquisição de máquinas e equipamentos, à digitalização, à automação e ao desenvolvimento de sistemas.

O Lifar não informa, no entanto, quanto desse valor corresponde especificamente aos investimentos em tecnologia. Segundo a companhia, não há uma abertura consolidada por categoria que permita determinar essa divisão.

Parte da transformação ocorreu no almoxarifado. Antes, funcionários utilizavam listas impressas para localizar e separar itens destinados às ordens de produção. Com a implementação do WMS, recebimento, conferência, armazenamento e separação passaram a ser realizados com coletores de dados.

O Lifar também desenvolveu um portal para organizar o recebimento de cargas. Anteriormente, a chegada dos fornecedores dependia da disponibilidade das transportadoras, o que dificultava prever quantas entregas seriam recebidas em determinado dia e dimensionar as equipes.

Agora, o fornecedor acessa o sistema, envia as notas fiscais e escolhe um horário disponível. Antes de liberar o agendamento, a plataforma verifica se existe um pedido correspondente e identifica possíveis problemas na documentação. O sistema também permite antecipar inconsistências que anteriormente poderiam ser identificadas apenas quando a mercadoria chegasse à unidade. Segundo Shinope, a mudança reduziu erros no recebimento, embora a companhia não tenha informado um percentual para esse indicador.

Kanban digital identifica gargalos da produção

Outra mudança foi a digitalização do acompanhamento das ordens de produção. No modelo anterior, descobrir em que etapa determinado produto estava poderia exigir contato direto com diferentes profissionais da fábrica. Agora, as ordens são acompanhadas por um Kanban digital. O sistema mostra os setores pelos quais cada ordem deve passar e quanto tempo permanece em cada etapa.

Segundo Shinope, a ferramenta permite identificar quando uma ordem permanece por mais tempo do que o esperado em determinado setor. A gestão consegue, então, localizar o gargalo e atuar sobre a etapa responsável pelo atraso. Neuri Grams, gerente-executivo industrial do Lifar, explica que os dados também passaram a apoiar decisões de compras, planejamento e logística. A operação consegue acompanhar o andamento das ordens e identificar possíveis atrasos antes que comprometam a entrega ao cliente.

Outra ferramenta cruza matérias-primas e materiais de embalagem disponíveis para identificar quais produtos podem ser fabricados com o estoque existente. A lógica complementa o planejamento baseado na procura prevista. Em vez de apenas calcular o que precisa ser comprado para atender determinada produção, o sistema também identifica possibilidades de uso do estoque disponível.

TI da Panvel desenvolve 90% dos sistemas internamente

A área de tecnologia da informação (TI) do Grupo Panvel conduz parte da transformação do Lifar. Segundo Shinope, cerca de 90% dos produtos de software usados pelo grupo são desenvolvidos internamente. A infraestrutura do laboratório tem banco de dados e ambientes dedicados, hospedados no data center do grupo. Os sistemas criados ao redor do sistema de gestão empresarial (ERP) se comunicam por interfaces de programação de aplicações (APIs).

A arquitetura permite cruzar informações do Lifar com dados de outras operações do Grupo Panvel, incluindo lojas e centros de distribuição. Uma das soluções desenvolvidas internamente é uma representação em três dimensões (3D) dos armazéns. A ferramenta reproduz ruas, endereços e posições dos produtos e permite localizar visualmente onde cada item está armazenado.

O sistema também destaca produtos de acordo com o prazo de validade. A operação pode, por exemplo, visualizar as posições que contêm itens com vencimento previsto para os 90 dias seguintes. A ferramenta está em pleno uso há cerca de 60 dias. Por se tratar de uma implementação recente, a companhia ainda não tinha indicadores consolidados sobre seus resultados.

Lifar planeja adotar RFID nos armazéns

O próximo passo previsto para os armazéns é substituir parte do controle realizado com leitores e etiquetas pela identificação por radiofrequência (RFID). A tecnologia permite identificar objetos por meio de etiquetas que se comunicam por ondas de rádio. No Lifar, a expectativa é utilizá-la principalmente para acompanhar volumes e aumentar a acurácia do controle de estoque. A companhia não informou prazo para concluir a implementação.

Outra frente em desenvolvimento envolve custeio e precificação. A área de tecnologia trabalha em uma ferramenta para automatizar cálculos e simular impactos da reforma tributária sobre os produtos. A intenção é comparar custos atuais com os projetados após as mudanças tributárias e antecipar essas informações nas negociações com clientes.

O Lifar também avalia automatizar etapas de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Alguns processos podem levar semanas ou meses até chegar à primeira versão de um produto. A empresa estuda utilizar automação e inteligência artificial (IA) para reduzir esse ciclo.

A IA já é usada pelo time de tecnologia no desenvolvimento dos sistemas destinados ao Lifar. No monitoramento de redes sociais e tendências para identificar oportunidades de novos produtos, porém, o processo ainda é realizado por pessoas. A empresa vê espaço para incorporar análise de dados a essa atividade.

Tecnologia sustenta meta de 400 lançamentos

A digitalização acompanha a expansão do negócio de marcas próprias. Segundo Grams, empresas de diferentes segmentos têm procurado o Lifar para desenvolver produtos comercializados sob suas próprias marcas. A companhia também internalizou atividades que anteriormente dependiam de terceiros. Um novo laboratório de pesquisa e desenvolvimento permite realizar internamente testes que antes eram terceirizados.

O tempo necessário para colocar um produto no mercado varia conforme sua complexidade. Segundo Grams, um sabonete pode chegar à etapa de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em cerca de 120 dias após o início do projeto. Um protetor solar, por exigir mais testes e validações, pode levar até dois anos. 11jai-transcription-20260928145…

Para 2026, o Lifar trabalha com 200 lançamentos. “Este ano estamos fazendo 200 lançamentos. Estamos projetando, em dois anos, chegar a 400 lançamentos”, projeta Grams. Segundo o executivo, a equipe e a estrutura estão sendo preparadas para esse volume. O desafio tecnológico é fazer com que o aumento de escala ocorra com maior controle sobre produção, estoque e prazos, sem depender dos processos manuais que a companhia começou a substituir nos últimos dois anos.

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