
A legaltech Inspira acaba de anunciar a captação de R$ 15 milhões em uma rodada liderada pela Cloud9 Capital, com participação da Vivo Ventures. Com clientes como Pinheiro Neto, BMA, Safra, XP, Itaú e Vivo, a startup planeja usar os recursos para apoiar uma estratégia de expansão para profissionais de todos os portes e estruturas.
Fundada em 2022 por advogados, a Inspira se posiciona como um ecossistema operacional de inteligência artificial voltado à prática jurídica brasileira. A proposta central é reunir em um único ambiente as principais tarefas da rotina de um escritório: pesquisa de jurisprudência, automação de processos e gestão do conhecimento interno. Ao todo, a plataforma já conta com mais de 14 mil usuários ativos e uma base de dados que cobre 86 tribunais e processa 83 milhões de decisões com atualização diária.
O aporte chega em um momento de aquecimento do setor. Só no primeiro trimestre de 2026, legaltechs ao redor do mundo movimentaram US$ 1,42 bilhão em 35 rodadas de investimento, algo em torno de um terço de tudo que o setor captou em 2025 inteiro, segundo o Legaltech Hub. Nos Estados Unidos e na Europa, empresas como Harvey, Legora e Clio já lideram essa transformação.
O Brasil, na visão da Inspira, apresenta condições ainda mais favoráveis: o país concentra 1,4 milhão de advogados, a maior proporção por habitante do mundo, e um mercado jurídico que combina alta complexidade regulatória com enormes volumes de dados dispersos e desestruturados.
“Quando fundamos a Inspira há quatro anos, partimos da convicção de que a tecnologia jurídica de alto padrão que já existia ao redor do mundo deveria estar acessível no Brasil. A virada não está em ter mais uma IA, mas em ter uma IA local que entenda Direito. Hoje, com o aporte da Cloud9 Capital e da Vivo Ventures, materializamos essa visão em um ecossistema único e estamos prontos para levar essa promessa a todos, sejam departamentos jurídicos, grandes escritórios, faculdades, órgãos públicos ou advogados autônomos. Não estamos lançando uma nova versão da Inspira, mas inaugurando uma nova categoria de produto para a advocacia brasileira”, afirma Rafael Grimaldi, CEO e cofundador da Inspira.
A tese também convenceu pelo lado do uso real. A Vivo Ventures entrou na rodada após o próprio departamento jurídico da Vivo já adotar a plataforma para pesquisa de jurisprudência. “Antes de ser um investimento, a Inspira foi uma decisão do próprio jurídico da Vivo. Quando os advogados mais exigentes escolhem uma ferramenta no dia a dia, a tese se valida sozinha”, avalia Phillip Trauer, diretor do Vivo Ventures e da Wayra Brasil.
Noah Stern, sócia e cofundadora da Cloud9 Capital, reforça a lógica de escala: “Globalmente, Harvey e Legora captaram bilhões e atendem milhares de escritórios. O Brasil, sendo o maior mercado jurídico do mundo, não vai ser diferente. Vemos a Inspira liderando esse movimento.”
Além da expansão da base de clientes, a legaltech planeja avançar no desenvolvimento do produto, com novas integrações a ferramentas já presentes na rotina dos advogados e a incorporação de funcionalidades para otimizar ainda mais o dia a dia jurídico.
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