
A lista dos maiores fracassos tecnológicos de 2025 revela um padrão recorrente: expectativas infladas, promessas antecipadas e o uso político da tecnologia acabaram produzindo resultados aquém do esperado. O levantamento, publicado pela MIT Technology Review, reúne produtos, iniciativas e movimentos que simbolizam como inovação sem lastro técnico, social ou científico pode rapidamente se transformar em decepção.
NEO
Entre os destaques está o NEO, robô humanoide doméstico da startup 1X. Apresentado como um assistente capaz de realizar tarefas cotidianas de forma autônoma, o equipamento mostrou limitações práticas nos primeiros testes independentes. Além de executar ações simples de forma lenta, ficou evidente que muitas demonstrações dependiam de controle humano remoto. Mesmo assim, o robô segue em pré-venda por cerca de US$ 20 mil, ilustrando o descompasso entre marketing e maturidade tecnológica.
IA bajuladora
No campo da inteligência artificial (IA), a chamada “IA bajuladora” ganhou atenção negativa. Atualizações recentes de modelos generativos passaram a exibir um comportamento excessivamente concordante com os usuários, validando ideias frágeis ou emocionalmente sensíveis. A própria OpenAI reconheceu, ao longo do ano, que ajustes desse tipo podem reforçar impulsos negativos, dependência emocional e decisões precipitadas, o que levou a empresa a rever parcialmente o design desses sistemas.
Biotecnologia
A biotecnologia também apareceu na lista, com o caso da Colossal Biosciences e a apresentação de animais geneticamente modificados como supostos “lobos-terríveis”, espécie extinta há milhares de anos. Embora os experimentos envolvam técnicas avançadas de edição genética, especialistas em conservação apontaram que os animais não correspondem à espécie original e alertaram para o risco de desviar atenção e recursos de estratégias mais urgentes de preservação ambiental.
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mRNA
Outro movimento que marcou 2025 foi o enfraquecimento do ecossistema de vacinas de mRNA nos Estados Unidos. Após o sucesso da tecnologia durante a pandemia, decisões políticas levaram ao cancelamento de contratos e ao esvaziamento de programas de pesquisa. O impacto foi sentido tanto no mercado, com a forte desvalorização de empresas do setor, quanto no ritmo de desenvolvimento de terapias baseadas em mRNA para câncer e doenças raras.
Wikipédia, é o fim?
No campo do conhecimento digital, a Wikipédia em groenlandês foi encerrada. A edição, pouco acessada e amplamente composta por traduções automáticas com erros, passou a ser vista como um risco para a preservação da língua local. A preocupação era que modelos de IA treinados nesses conteúdos acabassem perpetuando distorções linguísticas, acelerando um processo de degradação cultural.
Cybertruck
A indústria automotiva também enfrentou um revés simbólico com o Tesla Cybertruck. Após um início promissor, as vendas do modelo caíram significativamente em 2025, refletindo dificuldades mais amplas do segmento de picapes elétricas. O acúmulo de estoque levou a Tesla a redirecionar veículos para uso interno em outras empresas do grupo, enquanto concorrentes reduziram ou abandonaram projetos semelhantes.
Criptomoedas
No universo das criptomoedas, o lançamento do memecoin $TRUMP, associado diretamente ao presidente dos Estados Unidos, ganhou notoriedade como um exemplo de uso político de ativos digitais sem lastro econômico. Tratado como item de merchandising, o ativo reforçou críticas sobre conflitos de interesse e a natureza especulativa desse tipo de iniciativa.
Apple Watch carbono neutro
Por fim, a Apple entrou na lista com o Apple Watch anunciado como “carbono neutro”. Questionamentos legais e decisões judiciais na Europa colocaram em xeque a validade das compensações ambientais utilizadas pela empresa. Como resposta, a companhia ajustou sua comunicação e retirou o selo de neutralidade de carbono de embalagens recentes.
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