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Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, em pé no palco durante uma apresentação, vestindo blazer azul-escuro e calça jeans, usando microfone de lapela e segurando um controle remoto, com fundo escuro e iluminação pontual (maioria)

Três anos após a explosão do hype da inteligência artificial (IA) generativa, a maioria das empresas brasileiras ainda está em estágio inicial de adoção dessas tecnologias. É o que revela o estudo “Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil”, encomendado pela Amazon Web Services (AWS) à Strand Partners e apresentado durante o AWS Summit São Paulo.

Segundo o levantamento, 62% das organizações nacionais estão nos primeiros passos da IA. Na prática, isso significa que a tecnologia é utilizada principalmente para ganhos de eficiência e otimização de processos, sem promover transformações profundas ou criar novos produtos.

Já 26% das companhias estão em estágio “intermediário” de adoção, integrando IA em diferentes áreas do negócio. Por fim, 12% utilizam a tecnologia de forma avançada. Nesse grupo, há uso combinado de diversos modelos e ferramentas para executar tarefas complexas e criar sistemas personalizados, resultando em mudanças abrangentes nas operações.

“O desafio é ajudar as empresas a subir essa pirâmide de maturidade, tirando a maioria do nível básico e levando-as para uma utilização mais estratégica e inovadora”, afirmou Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, na apresentação dos resultados.

Apesar de ainda engatinhar na profundidade de uso, o Brasil apresenta a maior taxa de adoção de IA da região. No total, 40% das empresas pesquisadas usam IA nos negócios, à frente do México (38%) e do Chile (35%). O índice, aliás, é próximo à média europeia (42%).

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“Estamos novamente em um ponto crítico para o Brasil”, ressaltou Morais. “Esse resultado mostra que a jornada está acelerando e se tornando um diferencial competitivo para escalar e expandir negócios.”

Entre as companhias que já utilizam a tecnologia, 95% afirmam ter registrado aumento de receita, com crescimento médio de 31%. É alto também (96%) o índice das que identificam melhorias relevantes na produtividade.

Em termos de sofisticação de adoção, as startups se destacam: mais da metade já utiliza IA, e 19% estão no nível avançado. “Assim como ocorreu na adoção da nuvem, as startups estão na vanguarda dessa transformação, criando modelos de negócio antes impossíveis e servindo de exemplo para empresas tradicionais”, observou o diretor da AWS.

O estudo também aponta otimismo em relação ao futuro: 89% das empresas que já utilizam IA esperam crescimento no próximo ano, e 85% projetam redução de custos decorrente da tecnologia.

A pesquisa envolveu mil empresas e mil cidadãos, ambos com representatividade nacional. O levantamento foi realizado com líderes empresariais, incluindo fundadores, CEOs ou outros membros do C-suite. No caso dos cidadãos, a representatividade considerou idade e gênero, segundo dados do último censo.

Os desafios no caminho da IA

Há, no entanto, obstáculos na adoção da IA por empresas nacionais. A lacuna de habilidades técnicas, a incerteza regulatória, os custos de conformidade e os investimentos iniciais percebidos estão entre os principais entraves.

Para apoiar parceiros nessa jornada, a AWS anunciou o Treina Brasil, um programa nacional de capacitação em inteligência artificial e computação em nuvem direcionado a estudantes, profissionais, pequenas e médias empresas e empreendedores. A iniciativa tem como meta treinar gratuitamente 1 milhão de pessoas até o final de 2028. Interessados terão acesso a conteúdos sobre IA generativa, aprendizado de máquina, fundamentos de nuvem, inovação e transformação digital, além de casos de sucesso.

“Queremos que o Brasil tenha multinacionais competitivas globalmente, aproveitando o potencial da inteligência artificial. Ao capacitar profissionais, oferecemos a oportunidade para que sonhem em empreender ou atuar em empregos diferenciados, contribuindo para um país mais competitivo”, concluiu Morais.

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