
Um microcomputador MSX foi o responsável por despertar, aos 14 anos, a curiosidade de Marcos Sirelli pelo mundo da tecnologia. Presente do pai, a máquina o conquistou ao lhe dar a capacidade de transformar ideias em ferramentas reais por meio da programação.
No ano seguinte, quando começou a trabalhar como office-boy no Centro Técnico Operacional (CTO) do Itaú, sua carreira já estava decidida. “O banco iniciava a digitalização, e ver aquilo tudo funcionando reforçou a certeza de que era isso que eu queria fazer”, relembra.
Cursou o ensino técnico em processamento de dados e, depois, engenharia da computação na Universidade de Campinas (Unicamp). Logo iniciou a carreira como programador na PCA, empresa que desenvolvia software para operadoras de TV por assinatura. De lá, partiu para novos desafios em tecnologia, incluindo uma experiência de um ano no México, implementando um projeto de banco on-line do Banco Serfin.
Quando voltou ao Brasil, retornou também ao Itaú Unibanco. Como gerente de TI, participou de projetos em parceria com a então Porto Seguro e se aproximou da seguradora. Em 2011, virou líder da unidade Itaú Auto Residência, recém-criada a partir de uma parceria entre as duas empresas. “Me encantei pela cultura da Porto e aceitei o convite para montar a estrutura de tecnologia”, conta.
Hoje, ocupa a posição de diretor-executivo de TI e atendimento da Porto, com responsabilidades que envolvem dados, canais digitais e suporte ao cliente. No próximo ano, completa 15 anos na companhia. “Boa parte do meu tempo é dedicada a discutir como a tecnologia impacta o negócio. Meu foco hoje é aumentar a maturidade digital da organização”, afirma.
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E poucos campos expressam hoje tão bem essa proximidade entre tecnologia e negócio quanto a inteligência artificial (IA). Entre os projetos estruturantes conduzidos por Sirelli na Porto está o CloudIn.
A iniciativa nasceu como resposta à crescente complexidade operacional da área de TI e foi concebida como um concierge tecnológico, utilizando IA generativa (GenAI) para centralizar conhecimento técnico e oferecer autosserviço aos colaboradores. “Qualquer colaborador encontra soluções de forma autônoma, reduzindo o tempo de resposta e liberando a TI para focar em temas estratégicos”, explica.
Entre abril e julho de 2025, a central de serviços de TI reduziu em 50% o tempo médio de atendimento. No onboarding, a integração de novos colaboradores tornou-se mais eficiente, e o tempo de resolução de incidentes caiu de 1 hora e 40 minutos para apenas cinco minutos. “O CloudIn representa um novo modelo operacional da TI da Porto.”
Na visão de Sirelli, a tecnologia também impacta profundamente o papel do CIO. “O valor do CIO não está mais apenas na capacidade técnica. TI não é mais uma área isolada, é uma competência transversal da empresa”, afirma. Ele compara o conhecimento em tecnologia à gestão de pessoas: não cabe apenas ao RH. “Todos precisam entender de tecnologia. E o papel do CIO é habilitar isso. É quase como ser um professor: criar as trilhas, preparar a pista para que o negócio possa correr com segurança”.
Essa mudança de postura exige proximidade com os times de negócio, visão de futuro e disposição para educar. “O protagonismo dos projetos não está mais na TI. Está no negócio. O CIO tem que estar com o farol mais alto, preparando a companhia para o que vem pela frente”, conclui.
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
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