
A Mercado Parts, startup brasileira de tecnologia para o mercado de reposição automotiva, concluiu uma rodada de investimento de R$ 2 milhões liderada pelo Investidores.vc. Com os recursos, a companhia pretende ganhar escala para organizar e conectar um setor ainda fragmentado, com baixa integração entre indústria, distribuidores, varejo, oficinas e grandes frotas.
Fundada em 2021, a empresa desenvolveu uma plataforma que centraliza a jornada de compra e venda de autopeças, pneus, óleos e insumos de manutenção. A solução integra marketplace B2B, e-procurement, inteligência de dados e logística, com foco em reduzir ineficiências operacionais e ampliar a visibilidade de dados.
Hoje, a startup reúne uma rede de sellers que, somados, faturam mais de R$ 9 bilhões ao ano, além de contratos que representam uma base potencial de consumo ligada a mais de 700 mil veículos.
Bastidores da captação
O relacionamento com o Investidores.vc começou antes da rodada. Ao longo de mais de um ano, a Mercado Parts apresentou métricas, validou o pivô do modelo de negócios e passou por uma série de conversas e análises com o time do fundo.
Para Amure Pinho, fundador do Investidores.vc, a tese da Mercado Parts se destaca por unir tecnologia e economia real. “É um mercado gigantesco, altamente fragmentado e que ainda não passou por um processo relevante de digitalização. O time combina conhecimento profundo da cadeia, clareza estratégica e capacidade de execução”, avalia.
Segundo o executivo, o fundo buscava validações práticas do modelo e da transição estratégica da startup. “Não era só o produto tecnológico. Era provar que esse pivô funcionava no mundo real, com mecânico, oficina, frota e logística rodando”, afirma.
Durante o processo, o Investidores.vc apoiou a estruturação de governança, a análise de métricas como CAC e LTV, a organização das unidades de negócio e as rotinas de reporte. O resultado foi uma tese mais objetiva, que permitiu à startup captar todo o valor da rodada em menos de sete dias.
Construindo a operação
A trajetória da Mercado Parts se conexta à experiência de seus fundadores no aftermarket automotivo. Durante a infância e juventude, Thiago Cruz, CEO e cofundador da startup, acompanhava o trabalho do pai, representante comercial com mais de quatro décadas de atuação. “Com seis anos eu já estava com o pé sujo de graxa”, conta.
Empreendedor desde o ensino médio, Thiago construiu carreira desenvolvendo soluções para o segmento automotivo, incluindo uma operação internacional nos Estados Unidos, onde liderou uma estrutura com cerca de 100 pessoas. A vivência no mercado norte-americano, segundo ele, foi determinante para entender o papel da tecnologia e da integração de dados em um aftermarket mais automatizado. Após retornar ao Brasil, lançou uma empresa SaaS focada em soluções B2B para o setor e, na sequência, fundou a Mercado Parts.
Nos primeiros anos, a startup apostou em um modelo menos escalável, baseado em operações de fulfillment. Foram criados mais de 20 espaços logísticos dentro dos pátios de manutenção de grandes frotas e locadoras, com estoques avançados para garantir rapidez no fornecimento de peças.
A estratégia ajudou a empresa a se conectar aos sistemas e à rotina operacional desses clientes, mas também evidenciou um gargalo. Segundo Thiago, cerca de 85% do consumo das frotas estava fora desse modelo, concentrado em uma demanda pulverizada e difícil de atender apenas com estoque próprio.
A partir desse diagnóstico, a Mercado Parts iniciou uma transição para um modelo mais asset light e transacional, batizado internamente de Spot. A nova frente conecta compradores e vendedores de qualquer SKU – de filtros a peças específicas – e funciona como um hub de supply orientado por dados, com maior escalabilidade e margens mais eficientes. O fulfillment segue ativo, mas como frente estratégica para grandes contas.
“A gente testou, ajustou e foi construindo essa camada de transição até encontrar evidências claras de product-market fit. Quando isso ficou claro, fez sentido abrir a rodada”, explica o CEO.
Próximos passos
Em 2026, a Mercado Parts pretende acelerar o crescimento da operação Spot, expandindo a base de buyers e sellers dentro dos perfis já validados. Outra prioridade é o fortalecimento da camada de dados e integrações da plataforma.
Atualmente, a empresa trabalha com mais de 20 milhões de variações de aplicações veiculares, usadas para orquestrar dados, integrar sistemas e automatizar a jornada de compra e venda de peças. A meta é multiplicar por dez o volume transacional da operação Spot.
O roadmap inclui a expansão para a linha diesel e veículos pesados, além do avanço da atuação junto a grandes frotas e locadoras. “Nossa ambição é construir o maior ecossistema do aftermarket automotivo no Brasil, conectando toda a cadeia em uma jornada centralizada, eficiente e orientada por dados”, afirma o CEO.
Thiago não rejeita a comparação da Mercado Parts com um “Mercado Livre das autopeças”. Segundo o empreendedor, a inspiração na lógica de one-stop shop e na velocidade de entrega faz parte da cultura da empresa desde os primeiros projetos de fulfillment, inclusive em demandas de grandes locadoras como a Localiza. “A ideia é ser o lugar onde compradores e vendedores se encontram, com dados, integração e escala. Um ecossistema vivo que conecta todos os elos da cadeia”, diz.
Para Amure Pinho, doInvestidores.vc, a combinação entre presença no mundo físico e inteligência digital tende a ganhar ainda mais relevância. “A tecnologia está mudando tudo, mas negócios que resolvem problemas reais, fora da tela, continuam tendo uma vantagem competitiva enorme. É aí que a Mercado Parts se encaixa”, conclui.
O post Mercado Parts capta R$ 2M para ser o “Mercado Livre das autopeças” apareceu primeiro em Startups.


