
A Meta passou a enfrentar um novo desafio regulatório no avanço de sua estratégia em inteligência artificial (IA). O governo da China anunciou a abertura de uma investigação sobre a aquisição da startup de agentes de IA Manus, operação estimada em mais de US$ 2 bilhões, para avaliar se o negócio está em conformidade com as leis chinesas de controle de exportação e transferência de tecnologia.
A apuração é conduzida pelo Ministério do Comércio da China e ocorre poucas semanas após a Meta concluir a compra da Manus, empresa hoje sediada em Singapura, mas com raízes no ecossistema chinês de IA. Segundo autoridades locais, a análise vai considerar regras relacionadas à exportação de tecnologia, investimentos no exterior e importação e exportação de ativos tecnológicos.
A Meta adquiriu a Manus em dezembro com o objetivo de acelerar o desenvolvimento e a integração de agentes de IA avançados em seus produtos voltados tanto ao consumidor final quanto ao mercado corporativo. Embora os termos oficiais da transação não tenham sido divulgados, fontes ouvidas pela imprensa internacional indicam que o valor superou a marca de US$ 2 bilhões, refletindo a rápida valorização da startup.
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Manus e a próxima fase da Meta
A Manus nasceu a partir da Butterfly Effect, também conhecida como Monica.Im, uma startup chinesa que ganhou visibilidade ao lançar, em março, um agente de IA capaz de executar tarefas como pesquisa de mercado, programação e análise de dados. O produto chamou atenção por combinar autonomia operacional e uso intensivo de modelos generativos, o que levou analistas a compará-lo a novas gerações de agentes inteligentes emergentes no mercado global.
De acordo com reportagem da CNBC, em meio ao crescimento, a empresa passou por uma reestruturação significativa. No segundo semestre do ano passado, reduziu drasticamente sua equipe em Pequim e transferiu sua operação principal para Singapura, como parte de uma estratégia de internacionalização. Em dezembro, a Manus informou contar com cerca de 105 funcionários distribuídos entre Singapura, Tóquio e São Francisco.
Apesar da reorganização, o histórico da empresa na China colocou o negócio sob escrutínio. Para Pequim, tecnologias ligadas a agentes avançados de IA, modelos fundacionais e propriedade intelectual associada são considerados ativos estratégicos. Na avaliação de analistas do setor, a investigação reforça a visão do governo chinês de que a corrida global por IA ultrapassou o campo comercial e passou a ter implicações geopolíticas.
De acordo com dados divulgados pela própria Manus, a startup ultrapassou US$ 100 milhões em receita recorrente anual apenas oito meses após o lançamento do produto, um crescimento acelerado que ajudou a atrair investidores e, posteriormente, o interesse da Meta. Antes da venda, a empresa havia levantado US$ 75 milhões em uma rodada liderada pelo fundo americano Benchmark.
Para a Meta, a aquisição se insere em um movimento mais amplo de reforço de capacidades em inteligência artificial. Nos últimos meses, a companhia intensificou investimentos bilionários para competir com rivais como OpenAI e Google, tanto no desenvolvimento de modelos quanto na criação de aplicações práticas. Em 2025, a empresa também anunciou a compra de participações estratégicas e startups focadas em IA aplicada, além de reorientar suas equipes internas para produtos de GenAI.
Esse reposicionamento inclui a redução do peso relativo do time de pesquisa fundamental em IA e maior foco em iniciativas voltadas à comercialização e escala de produtos, como os agentes integrados ao Meta AI e à família de modelos Llama. A incorporação da equipe da Manus foi apresentada pela empresa como um passo-chave para acelerar a entrega de agentes de uso geral em toda a sua plataforma.
Visão regulatória
Do ponto de vista regulatório, especialistas avaliam que o desfecho mais provável não seja o bloqueio completo da operação, mas um processo de aprovação mais longo, possivelmente acompanhado de condicionantes sobre o uso de tecnologias desenvolvidas originalmente na China. Ainda assim, o caso amplia o grau de incerteza em transações transnacionais envolvendo IA avançada, especialmente em um cenário de crescente tensão tecnológica entre Estados Unidos e China.
A Meta e a Manus informaram que estão cooperando com as autoridades e mantêm a expectativa de seguir operando a partir de Singapura. A investigação ocorre em um momento em que governos ao redor do mundo reforçam o controle sobre fluxos de tecnologia sensível, colocando aquisições no setor de inteligência artificial sob um nível de vigilância cada vez maior.
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