
A Meta anunciou novas demissões em sua área de risco e conformidade, substituindo parte das funções humanas por sistemas de inteligência artificial (IA) que automatizam processos de auditoria e verificação de privacidade. A mudança ocorre seis anos após a multa de US$ 5 bilhões aplicada pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), que obrigou a empresa a reformular sua governança de dados após o escândalo da Cambridge Analytica.
Segundo a CNBC, a decisão foi comunicada internamente por Michel Protti, diretor de privacidade e conformidade da Meta, e faz parte de uma reestruturação mais ampla que também incluiu a dispensa de cerca de 600 profissionais do laboratório de IA Superintelligence Labs. A companhia não revelou o número exato de desligamentos na equipe de risco, mas afirmou que a medida visa “refletir a maturidade do programa e acelerar a inovação sem comprometer padrões de conformidade”.
A área de risco da Meta é responsável por avaliar produtos e funcionalidades sob o ponto de vista regulatório, assegurando que estejam em conformidade com leis de privacidade em diferentes países. Criada em 2019, após o acordo com a FTC, a divisão foi desenhada para prevenir novas violações e supervisionar o uso de dados pessoais dentro do ecossistema do grupo, que inclui Facebook, Instagram e WhatsApp.
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De acordo com o porta-voz da empresa, a nova fase da operação conta com uma plataforma interna que automatiza etapas do processo de revisão, reduzindo a necessidade de análise manual. A ferramenta, descrita pela Meta como um sistema de automação e não de IA generativa, aplica regras jurídicas e de políticas públicas aos produtos de forma mais rápida e com menor margem de erro humano.
Rob Sherman, vice-presidente de políticas da empresa, já havia mencionado o desenvolvimento dessa tecnologia em uma publicação no LinkedIn em junho. Ele explicou que o objetivo é identificar automaticamente quando requisitos legais se aplicam a um novo recurso, deixando aos especialistas apenas as decisões ratificadas.
Cortes de vagas no mercado
O movimento da Meta ocorre em um momento em que grandes companhias de tecnologia e finanças vêm apontando o uso da IA como motor de eficiência — frequentemente acompanhado de cortes de pessoal. O JPMorgan Chase e o Goldman Sachs, por exemplo, vêm utilizando projetos de automação para conter contratações, enquanto a Salesforce anunciou a redução de 4 mil vagas em suporte ao cliente com base nos avanços do seu software Agentforce, voltado à automação de atendimentos.
Desde o início de 2025, a Meta tem ampliado investimentos em sistemas de IA aplicados à segurança, privacidade e revisão de conteúdo, buscando equilibrar custos e manter conformidade com a crescente pressão regulatória nos Estados Unidos e na Europa.
A empresa reforçou que continua comprometida com padrões rigorosos de privacidade e governança, mas que a automação é uma etapa natural de amadurecimento do programa de compliance. “Construímos um dos sistemas de revisão mais sofisticados do setor”, informou em comunicado. “As mudanças refletem nossa evolução e o uso de tecnologia para aumentar confiabilidade e velocidade sem abrir mão da responsabilidade.”
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