
Meta, Walmart, Stripe e outras empresas anunciaram, nessa terça-feira (6), a criação de um padrão aberto de tecnologia para regular como agentes de inteligência artificial (IA) pessoais interagem com negócios. A iniciativa tem como contexto o crescimento acelerado do Muse, agente de IA lançado pela Meta em setembro, e busca reduzir o que o presidente do conselho da OpenAI, Bret Taylor, descreveu como “caos” no ambiente corporativo.
A reportagem é da CNBC. Segundo a publicação, a iniciativa reúne empresas que estão desenvolvendo o que chamam de “protocolo de agente pessoal”, um conjunto de regras técnicas destinadas a definir quando e como agentes de IA podem acessar sistemas e informações de empresas.
Taylor lidera o esforço pela Sierra, startup de IA empresarial que co-fundou após deixar o cargo de co-presidente-executivo (co-CEO) da Salesforce. Ele também ocupa a presidência do conselho da OpenAI. Em entrevista à CNBC, Taylor explicou que as empresas precisam de mecanismos para distinguir agentes de IA de usuários humanos reais. “As empresas vão saber quando se trata de um agente pessoal e não de uma pessoa de verdade. Para muitas empresas há um risco: você não quer que um bot qualquer, que não está agindo em nome de uma pessoa, tenha acesso a esse serviço”, diz. “É uma espécie de caos enquanto esse padrão não existir.”
Popularidade do Muse e bloqueios
Lançado no início de setembro de 2026, o Muse se tornou o agente de IA pessoal mais popular do mercado. O aplicativo subiu ao topo da App Store da Apple e segue na primeira posição, à frente do ChatGPT. O crescimento, no entanto, gerou reações. A Amazon bloqueou os agentes da Meta, citando preocupações com raspagem de dados de seus sites.
A Amazon também bloqueou o agente de IA da Perplexity e entrou com uma ação judicial contra a startup em novembro, alegando que a empresa tomou medidas para “ocultar” seus agentes e continuar coletando dados do site da Amazon sem autorização. A Perplexity classificou o processo como “tática de intimidação”.
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David Singleton, vice-presidente de engenharia e produtos para consumidores dos Meta Superintelligence Labs e ex-diretor de tecnologia da Stripe, afirma que o padrão foi projetado para oferecer visibilidade e controle sobre o que os agentes fazem nos sites. Ele observa que, para os agentes funcionarem bem, os clientes precisam compartilhar dados de cartão de crédito e informações pessoais. “Estamos definindo trilhos pelos quais esperamos que agentes pessoais e agentes corporativos possam trafegar no futuro”, afirma Singleton. Para explicar a proposta, ele a compara ao e-mail: “Se você pensar no e-mail, ele funciona muito bem porque é um padrão que todos podem usar para se comunicar, e acreditamos que isso será bastante semelhante.”
Padrão aberto e adesão esperada
Taylor comparou a nova autenticação à prática de fazer login em outros sites com credenciais do Google ou do Facebook, tecnologia em que trabalhou quando era diretor de tecnologia do Facebook. O mecanismo deve permitir que as empresas identifiquem bots e acompanhem o que os agentes pessoais estão fazendo em seus sistemas.
Singleton afirma que o Muse já conta com milhões de usuários nos Estados Unidos e cresce “rapidamente”. “O que estamos descobrindo é que as pessoas adoram usar o Muse para todo tipo de coisa: matricular os filhos em aulas, encontrar e comprar os melhores presentes, agendar aquela consulta no dentista que você vem adiando há seis meses”, explica. “Precisamos de um mecanismo para que isso aconteça de forma mais rápida e tranquila.”
OpenAI e Anthropic não fazem parte do grupo por enquanto. Taylor diz que espera a participação das duas empresas e afirmou que ficará “muito desapontado” se o padrão não for adotado pelos concorrentes. “O objetivo de tudo isso é ser um padrão aberto”, diz.
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