
A Microsoft demitiu, nesta segunda-feira (6), cerca de 4.800 funcionários, o equivalente a 2,1% de sua força de trabalho global. O corte atingem principalmente as áreas de Xbox e vendas comerciais.
A empresa já havia demitido cerca de 15 mil funcionários no ano passado e, em abril, ofereceu programas de desligamento voluntário a um número não divulgado de empregados. Fontes externas estimam que cerca de 5.500 pessoas aderiram à iniciativa.
Em memorando enviado aos funcionários, Amy Coleman, vice-presidente executiva e diretora de pessoas da Microsoft, afirmou que as mudanças refletem uma transformação mais ampla da empresa. “Nosso negócio está mudando porque o mundo ao redor dele está mudando. A forma como a tecnologia é construída, implantada e usada está se transformando mais rápido do que em qualquer outro momento da minha passagem aqui”, disse.
Segundo ela, os cargos eliminados “não estão sendo substituídos pela IA”. A executiva acrescenta, porém, que “o que é verdade é que a IA está mudando a forma como o trabalho é feito”.
Amy explica que parte das atividades do dia a dia já pode ser automatizada, exigindo aprendizado contínuo por parte dos funcionários. “Algumas das tarefas que fazemos diariamente agora podem ser automatizadas, e isso significa que todos nós precisamos continuar aprendendo, desenvolvendo novas habilidades e nos adaptando conforme o trabalho evolui.”
Os cortes ocorrem poucos dias após a Microsoft lançar a unidade de negócios Frontier Company, voltada à implantação de soluções corporativas de IA com base em suas próprias ferramentas e em uma equipe de engenheiros dedicada ao atendimento de clientes. A iniciativa é apoiada por um investimento de US$ 2,5 bilhões e reforça um movimento observado em outras empresas de tecnologia: redução de postos de trabalho acompanhada pelo aumento dos investimentos em inteligência artificial.
Xbox concentra um terço dos cortes
Dos 4.800 cortes anunciados, 1.600 atingem diretamente a divisão Xbox. A empresa prevê eliminar cerca de 3.200 postos de trabalho na unidade até o fim do ano fiscal de 2027.
Em e-mail enviado aos funcionários nesta segunda-feira, Asha Sharma, CEO da divisão de games, classificou o movimento como “a reestruturação mais significativa da história do Xbox”. “Nosso negócio hoje não é saudável”, escreveu a executiva. “Estamos operando com margens de três a dez vezes menores do que negócios comparáveis de plataforma e publicação.”
Segundo Asha, apostas como o serviço de assinatura Game Pass, a expansão do portfólio de conteúdo e os investimentos em multiplataforma não cresceram no ritmo esperado. Como consequência, o negócio principal perdeu força, mesmo com o aumento das equipes e dos investimentos ao longo dos últimos anos.
A executiva também relacionou o momento ao cenário da indústria. “E agora a indústria está enfrentando a crise de hardware mais severa de sua história. Precisamos resetar o Xbox.”
Amy Coleman, VP executiva da Microsoft, também comentou os cortes na divisão de games, mas de forma mais breve. “Estamos reestruturando para posicionar o negócio para o sucesso de longo prazo. As equipes de engenharia em toda a empresa também vão evoluir sua estrutura e prioridades para atender às necessidades dos clientes e inovar para o futuro.”
Mais espaço para IA
Os cortes no Xbox ocorrem em um momento de retração da indústria de games, em paralelo ao avanço da IA generativa.
Empresas que desenvolvem sistemas de IA capazes de gerar ambientes e mundos virtuais — como Google DeepMind, World Labs, General Intuition, Luma AI e Runway — receberam bilhões de dólares em investimentos ao longo do último ano e ganharam destaque com demonstrações de mundos jogáveis gerados por IA. Para essas empresas, os games são um dos primeiros mercados com potencial para comercializar a tecnologia.
De acordo com o TechCrunch, os cortes da Microsoft se somam a uma onda de demissões que já soma cerca de 154 mil pessoas no setor de tecnologia apenas no primeiro semestre de 2026. Empresas como Meta, Oracle, Amazon e Cognizant também anunciaram milhares de desligamentos no período.
Reestruturação de estúdios e mudança na gestão
Como parte da reestruturação, quatro estúdios de games da Microsoft passarão a operar sob nova gestão, com a garantia de preservação da propriedade intelectual e dos projetos em andamento. Compulsion Games e Double Fine Productions voltarão a ser estúdios independentes, enquanto Ninja Theory e Undead Labs passam para uma nova propriedade, com financiamento destinado a concluir e expandir alguns de seus jogos mais populares.
O memorando também prevê um enxugamento da estrutura de gestão do Xbox. As atuais 14 camadas hierárquicas serão reduzidas para no máximo cinco, com a meta de chegar a três. Como parte da reorganização, Helen Chiang assume o cargo de diretora de operações, responsável pelos resultados financeiros das áreas de conteúdo, hardware, plataforma e serviços.
Segundo Asha Sharma, CEO da divisão de games, o plano também prevê abandonar iniciativas criativas que não geram retorno em escala de plataforma e concentrar investimentos em negócios considerados estratégicos, como Mojang e King, responsáveis por Minecraft e Candy Crush.
A Microsoft afirma estar trabalhando em alternativas para manter parte da equipe por meio de requalificação ou realocação para novas funções. “No último ano, redistribuímos mais de 4 mil funcionários para novos cargos, incluindo mais quinhentos somente neste mês”, conclui a VP executiva, Amy Coleman.
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