
A Red Hat vive um momento de crescimento de seus negócios no Brasil, impulsionado, em boa parte, por projetos de migração de VMware para OpenShift. De acordo com lideranças da empresa no país, a demanda por esses projetos cresceu 300% neste ano em comparação ao anterior.
“Temos várias provas de conceito em andamento, além de projetos em grandes clientes, incluindo aplicações de missão crítica. Estamos realizando tudo de forma automatizada. Parece-me que o mercado já não tem mais dúvidas sobre se vai ou não seguir nesse caminho”, comentou Alexandre Duarte, vice-presidente de Serviços da Red Hat para América Latina.
O crescimento vem na esteira das mudanças no modelo de negócio da VMware desde sua aquisição pela Broadcom, em 2023. A companhia deixou de lado o modelo de licenças perpétuas para adotar um sistema de assinatura, com menor flexibilidade e preços mais altos. Isso tem levado organizações a buscarem alternativas, inclusive a adoção e modernização de aplicações com a migração de virtualização para contêineres via OpenShift.
“Curiosamente, a virtualização era uma tecnologia que surgiu para reduzir custos, mas ficou mais cara”, observou Gilson Magalhães, vice-presidente e gerente geral da Red Hat para a América Latina, durante uma conversa com a imprensa no Red Hat Summit Connect, realizado nesta terça-feira (21), em São Paulo. “Mas também está condenada como tecnologia por conta do surgimento dos contêineres, que têm muito mais velocidade.”
Os projetos, reforça Magalhães, têm diferentes características: desde aqueles “emergenciais”, de curto prazo, de empresas que buscam uma modernização urgente de seus sistemas, até projetos de longo prazo. A empresa, vale ressaltar, também mantém o Red Hat Virtualization (RHV) como alternativa para clientes que ainda desejam optar pela virtualização.
A onda de migração da VMware não é exclusividade do Brasil, no entanto. De acordo com o líder regional da Red Hat, esse tipo de projeto foi “o grande negócio” dos últimos quatro meses nos Estados Unidos. “A onda já chegou por aqui”, completou.
O Brasil é hoje o principal mercado para a Red Hat na América Latina, representando cerca de 50% dos negócios. A região também é de importância estratégica para a organização: nos últimos sete anos, a América Latina foi a que mais cresceu no mundo para a companhia. Nos últimos quatro anos, o Brasil também apresentou crescimento acima da média global da Red Hat.
Entre as áreas de interesse para a companhia no país estão o setor de serviços financeiros e o de governo. Magalhães considera ambos como setores de alta maturidade tecnológica, com destaque para serviços como o Pix e o modelo de declaração de imposto de renda (IR). “São extraordinários”, destacou.
O setor público é um dos destaques. Em agosto, a fornecedora anunciou a abertura de um novo escritório em Brasília, com o objetivo de expandir as operações voltadas ao setor público. Projetos recentes da empresa incluem a automação do Diário Oficial, em parceria com a Prodesp, e uma iniciativa com a Secretaria-Geral de Governo (SGG) de Goiás para implementação de uma nuvem voltada à oferta de serviços de IA.
“É melhor colocar um casaco”
Também durante a conversa com jornalistas, Magalhães comentou brevemente a instabilidade sofrida pela Amazon Web Services (AWS) nesta segunda-feira, dia 20. O episódio, que atingiu a região de Virgínia da gigante provedora de nuvem, impactou serviços de empresas como Canva, Mercado Pago, Zoom, Duolingo e até o portal de notícias Estadão.
O vice-presidente disse que não celebra problemas enfrentados por outros provedores de tecnologia, mas que o episódio reforça a estratégia defendida pela própria Red Hat. “Nós já temos alertado aos nossos clientes, há muitos anos, que é importante ter um modelo híbrido, para a segurança, para a garantia de escalabilidade e soberania”, disse.
A metáfora usada é a da “mãe” que sempre insiste que o filho leve um casaco ao sair, mesmo que o tempo não esteja com cara de frio. “Um conceito como o nosso, às vezes, dá mais trabalho de explicar. Especialmente por causa da infraestrutura, da necessidade de uma arquitetura híbrida. Mas esse esforço compensa. Ele garante um ambiente muito mais estável, seguro e protegido, com muito mais chances de resolver problemas quando ocorrerem falhas”, anotou. “É como colocar o casaco”.
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