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Imagem em plano médio mostrando três pessoas alinhadas lado a lado, encostadas em uma parede clara, vistas do ombro até a cintura. Cada pessoa segura um smartphone com uma das mãos e observa a tela do próprio aparelho. As roupas são casuais, incluindo camisa jeans de mangas longas, camiseta clara e camisa xadrez. O fundo é simples e claro, com iluminação natural uniforme. A composição destaca o uso simultâneo de dispositivos móveis em um ambiente cotidiano, sem mostrar os rostos das pessoas. (mobile)

por Leandro Oliveira

O cenário corporativo ainda convive com um abismo silencioso, mas que impacta de forma desproporcional colaboradores operacionais: digitalizamos os escritórios, os e-mails e as reuniões virtuais, mas deixamos 80% da força de trabalho global no analógico. Esses são os chamados trabalhadores deskless, ou seja, aqueles que não trabalham em frente a um computador em espaços fechados durante toda a sua jornada.

Essa desconexão é mais do que um problema social, é um erro estratégico de eficiência. Em setores como varejo, manufatura, saúde e logística, o canal de comunicação mais efetivo ainda pode ser a “rádio peão”, talvez impulsionada por murais de aviso físico ou até mesmo os temíveis grupos de Whatsapp – que podem ser considerado um case de sucesso por alguns, porém, misturam vida pessoal e profissional sem nenhuma governança ou segurança de dados.

Enquanto o diretor financeiro acessa dashboards em tempo real, a camareira do hotel ou o operador de máquina na fábrica muitas vezes só descobre uma mudança na política de benefícios quando o boato chega ao refeitório.

A democratização da tecnologia corporativa, portanto, não virá de mais computadores ou licenças de software complexas, mas sim da ferramenta que já está no bolso de cada um desses colaboradores: o smartphone. O conceito de mobile-first deixou de ser uma diretriz de design de interface para se tornar uma estratégia de sobrevivência organizacional.

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Dados da consultoria Emergence Capital apontam que, apesar de representarem a maioria esmagadora da mão de obra, os trabalhadores deskless recebem apenas 1% do investimento em software empresarial. Essa disparidade cria um abismo de produtividade e engajamento. Empresas que insistem em modelos de comunicação baseados em intranet, que exige login em desktop; ou e-mail corporativo, que muitos operacionais nem possuem, estão, na prática, dizendo a esses funcionários que eles não são parte integral da cultura da empresa.

A virada de chave acontece quando entendemos que a inclusão digital corporativa não é sobre dar um laptop para o funcionário, mas sobre entregar a ele uma experiência tão intuitiva quanto a das redes sociais que ele já usa. A barreira de entrada para a tecnologia no chão de fábrica não é o hardware, é a complexidade. Se o aplicativo de RH exige um treinamento complexo e detalhado para ser usado, ele já falhou.

O impacto dessa inclusão vai muito além de eficiência, mas também passa pelo sentimento de pertencimento. Imagine uma rede de varejo onde o vendedor na ponta pode reportar uma ruptura de estoque em segundos pelo celular, ou um hospital onde a enfermeira troca seu plantão com um colega automaticamente, sem preencher três formulários de papel. Um estudo da Harvard Business Review mostrou que empresas que empoderam sua linha de frente com tecnologia móvel veem um aumento significativo na satisfação do cliente final, pois quem resolve o problema do cliente tem a informação na palma da mão e se sente parte do todo – e isso, no final do dia, significa dinheiro.

Além disso, há um componente urgente de atração e retenção de talentos. Em um mercado com escassez de mão de obra qualificada em setores operacionais, a experiência digital do colaborador tornou-se um diferencial competitivo. As novas gerações que entram na força de trabalho deskless são nativas digitais; elas não aceitam processos arcaicos e burocráticos. Para esse perfil, a tecnologia rápida e acessível de qualquer lugar é uma expectativa básica.

Ao democratizar o acesso à informação e aos processos corporativos, não estamos apenas modernizando o RH; estamos, finalmente, integrando a espinha dorsal da economia global à era digital. O futuro do trabalho não será definido apenas por inteligência artificial ou automação avançada, mas pela capacidade das empresas de conectarem e usarem 100% de seu capital humano nas melhores posições.

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