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Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola Brasil, durante a edição de março do Lenovo Tech World
Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola Brasil, durante a edição de março do Lenovo Tech World (Imagem: Giulia Frazão/Startups)

Em um mercado dominado por smartphones premium da Samsung (como Galaxy S26 Ultra e Galaxy Z Fold) e da Apple (com as linhas iPhone Pro e Pro Max), a Motorola decidiu subir de patamar. Depois de anos associada a custo-benefício, a companhia agora tenta avançar no segmento premium, em um movimento para aumentar o ticket médio e reposicionar sua marca no Brasil.

Esse reposicionamento acontece em um momento em que o mercado intermediário, onde a Motorola construiu sua base, enfrenta maior pressão de preço e margens mais apertadas. Avançar no topo de linha, portanto, não é apenas uma expansão de portfólio, mas uma tentativa de capturar consumidores de maior valor e aumentar a rentabilidade.

Hoje, o segmento de alto padrão é menos orientado por ficha técnica e mais por atributos como status, design e experiência – dimensões em que Apple e Samsung construíram vantagem ao longo dos anos. Para a Motorola, avançar nesse espaço passa por mudar a percepção, não só lançar novos produtos.

Segundo Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola Brasil, cerca de um terço da população brasileira utiliza smartphones da marca. A escala, porém, não se traduz automaticamente em prestígio, especialmente em uma categoria em que a decisão de compra está ligada à imagem. “O consumidor não via a Motorola como uma opção ultra-premium. Agora, isso mudou”, afirma.

Ele associa a mudança ao desempenho da linha Razr, de smartphones dobráveis. Entre abril e junho de 2025, os novos modelos responderam por cerca de 28% das vendas de celulares dobráveis no mundo, o dobro da fatia de um ano antes, colocando a Motorola à frente da Samsung nesse nicho. “O sucesso do Razr e a liderança nos dobráveis nos dão confiança de que vamos conseguir fazer o mesmo no segmento barra”, diz o executivo.

Construção de marca

Para disputar o público premium, a Motorola tem ampliado investimentos em marketing e associação de marca. A estratégia inclui parcerias com plataformas globais, como FIFA e Fórmula 1, ativações durante a Copa do Mundo e o uso de seus dispositivos por nomes como o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto.

A lógica é inserir a marca em contextos ligados a desempenho e prestígio, um movimento comum entre fabricantes que buscam reposicionamento. “À medida que as pessoas começam a usar e compartilhar suas experiências, isso gera boca a boca, que é muito importante no Brasil”, diz Rodrigo.

A abordagem se aproxima mais da estratégia da Samsung, que recorre a grandes eventos e celebridades para reforçar percepção de valor, do que da Apple, que sustenta seu posicionamento premium principalmente no ecossistema, no design e na integração entre produtos.

Outra frente da estratégia passa por associações com marcas já consolidadas em segmentos específicos. No caso do Signature, modelo que chegou ao Brasil em março, isso aparece em elementos como o áudio assinado pela Bose (empresa norte-americada de equipamentos de áudio de alta qualidade), o uso do GrapheneOS, com foco em privacidade e segurança, e a certificação de cores da Pantone. Mais do que diferenciais técnicos, esses elementos funcionam como atalhos para construir credibilidade junto a um público mais exigente.

A Motorola também tem explorado aproximações com o universo do luxo. Em colaborações como a “The Brilliant Collection”, desenvolvida com a Swarovski para outros modelos do portfólio, aposta em edições limitadas com acabamento refinado e apelo estético – uma tentativa de expandir sua presença para além do consumo funcional.

O que está por trás

A investida no topo de linha é resultado de uma mudança de estratégia iniciada anos atrás. A partir de 2018, sob a liderança de Sérgio Buniac, a Motorola reestruturou sua operação no Brasil após um período de perdas financeiras. O foco inicial foi recuperar rentabilidade com a linha Moto G, que ganhou escala no segmento intermediário.

Com a operação mais estável, a empresa avançou gradualmente para categorias de maior valor, com a linha Edge e, posteriormente, os dobráveis da família Razr, que ajudaram a reposicionar a marca no campo da inovação. “A gente focou no que dava rentabilidade. A linha Moto G se tornou campeã de vendas no intermediário e foi o que fez a Motorola voltar a crescer”, afirma Rodrigo.

Agora, ao tentar ocupar também o topo de linha tradicional, a companhia busca completar esse movimento. O lançamento do Signature chega para complementar o portfólio premium da marca. “Hoje, a Motorola já fala com o consumidor de alto valor nos dobráveis. Mas ainda faltava o modelo barra nesse nível, e é isso que o Signature vem preencher”, diz o executivo. “Viemos para brigar, competir e ganhar mercado”, conclui.

O post Motorola entra na briga com Apple e Samsung no mercado premium apareceu primeiro em Startups.