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Musixe
João Batista Neto, Daniela Oliveira e Kiko Loreiro, sócios da Musixe | Crédito: Divulgação

A plataforma de educação musical Musixe inaugura em agosto um estúdio próprio, construído com investimento de R$ 1,5 milhão. O espaço será usado para centralizar a produção de cursos, podcast e conteúdos no YouTube, com a meta de sustentar o crescimento de 30% em 2026 e levar a empresa a 200 mil alunos até dezembro.

Fundada em 2018 pelo casal Daniela Oliveira e João Batista Neto, a Musixe opera em modelo de assinatura, no qual o aluno paga uma mensalidade e tem acesso a todo o catálogo, independentemente de nível ou instrumento.

A ideia surgiu a partir de uma necessidade pessoal da fundadora, que tocava guitarra e buscava estudar canto, mas enfrentava dificuldade para conciliar aulas presenciais com a rotina. “Imagina se tivesse tudo o que eu precisasse estudar em uma mesma plataforma”, lembra Daniela, CEO da Musixe, sobre o ponto de partida da iniciativa.

Atualmente, a edtech atende mais de 125 mil alunos, sendo o Brasil o principal mercado. No exterior, que representa cerca de 2% da base, a empresa está presente em países como Estados Unidos, Portugal, Espanha e França, onde a maioria dos alunos é formada por brasileiros que vivem fora e buscam acessar conteúdos educacionais em português.

Evolução do negócio

Inicialmente, a produção das aulas era terceirizada, até que Daniela e o marido, também músico amador, decidiram internalizar toda a cadeia, da gravação à edição, pós-produção e controle de qualidade. A operação começou de forma improvisada, em um quarto na casa dos fundadores. Hoje, 32 professores utilizam o espaço, em uma rotina organizada por um cronograma pré-definido.

A Musixe compra os cursos diretamente do professor, que grava o conteúdo e é remunerado pelo material produzido. Esse formato substituiu uma estrutura anterior baseada em participação nos lucros, que, segundo a fundadora, não funcionou. De acordo com Daniela, a empresa levou cerca de dois anos para gerar retorno financeiro, e muitos profissionais não estavam dispostos a esperar esse período para receber sua parcela dos resultados. “O músico quer tocar e receber. De 20 professores que começaram nesse modelo, restou apenas um”, afirma.

Com o novo estúdio, a plataforma pretende acelerar a produção de conteúdos e ampliar o portfólio, que hoje reúne mais de 6 mil aulas distribuídas em 70 tipos de cursos. O investimento é financiado pelo próprio caixa, após a empresa registrar faturamento de R$ 5,6 milhões em 2025, alta de 30% em relação ao ano anterior.

A startup é bootstrap desde a fundação e opera de forma lucrativa sem nunca ter recebido aporte externo. Em 2020, o guitarrista Kiko Loureiro, conhecido pelo trabalho no Megadeth, entrou como sócio, movimento que, segundo Daniela, ampliou o alcance da marca.

Estratégia de crescimento

Para 2026, a empresa adotou uma postura de cautela. A meta original de faturar R$ 10 milhões foi revisada para R$ 8 milhões após a percepção de um cenário macro volátil. “Não é um ano de extravagâncias”, diz a CEO. “Seguimos trabalhando para expandir a presença nas redes sociais, mas o foco é crescer com o pé no chão”, afirma.

A estratégia passa por parcerias com influenciadores de nicho — perfis entre 10 mil e 15 mil seguidores, apostando no engajamento de comunidades específicas em vez do alcance de perfis grandes. A meta é sair dos atuais 125 mil alunos para cerca de 200 mil até o fim do ano.

A aquisição de clientes também passa por parcerias institucionais. No B2B, a Musixe atua com igrejas, que estão entre os canais mais ativos da plataforma. Nesse modelo, a startup vende acesso em grupo para músicos de congregações.

A edtech também oferece assinaturas corporativas, voltadas a empresas que incluem a plataforma como benefício para funcionários. Outra frente é a parceria com a BATS, plataforma de aluguel de instrumentos, que inclui acesso com condições especiais às aulas online da Musixe para seus assinantes.

Segundo Daniela, a startup não tem concorrentes diretos no Brasil no mesmo modelo de assinatura de aulas online, semelhante a um streaming. O Cifra Club, plataforma focada em cifras e tablaturas, é o principal nome do setor, mas com posicionamento diferente. A empresa oferece o Cifra Club Academy como frente de cursos online, mas também monetiza por meio de modelo freemium e publicidade. Já a MusicDot encerrou as operações.

Expansão internacional

A Musixe produz e disponibiliza seus conteúdos apenas em português, mas tem como meta para 2027 lançar uma operação em espanhol. A iniciativa será voltada para a América Latina, com professores nativos de cada país e repertório adaptado à cultura local.

A edtech também testa o uso de inteligência artificial para dublar aulas em outros idiomas, com revisão humana para garantir a qualidade do material. A ideia é usar a tecnologia para acelerar a tradução de conteúdos já existentes e, posteriormente, ampliar a criação de novos vídeos com professores locais.

O post Musixe investe R$ 1,5M em estúdio e mira 200 mil alunos até dezembro apareceu primeiro em Startups.