
Na última terça-feira (15), o CEO da Nvidia, Jensen Huang, defendeu que a inteligência artificial não precisa de novas leis ou regulamentações para ser desenvolvida com segurança. A declaração foi feita durante sua participação na conferência Dreamforce, da Salesforce.
Para o executivo, a IA não representa uma ameaça de natureza desconhecida, muito menos uma “mente alienígena”, como já foi descrita por pesquisadores de segurança da OpenAI. Na visão de Huang, a tecnologia é simplesmente uma combinação de hardware e software criada por humanos, que pode ser controlada por eles e pelas leis já existentes.
“Segurança é um problema de engenharia, não jurídico”, afirmou o executivo. Ele destacou que, por mais complexos que sejam, os sistemas de IA continuam sendo sistemas computacionais como quaisquer outros.
Huang também contestou a necessidade de regras adicionais ao argumentar que o próprio livre mercado já exerce pressão suficiente para evitar que empresas lancem produtos inseguros. “Se você desenvolver um produto ou serviço e não tiver certeza de sua funcionalidade, capacidade ou segurança, então não o lance. Isso é algo muito óbvio a se fazer”, disse.
Ainda assim, o CEO da Nvidia reconheceu que as empresas devem avançar com cautela até terem segurança sobre a funcionalidade, a capacidade e a segurança de seus produtos. Ao mesmo tempo, afirmou que inovação, velocidade e segurança não são objetivos incompatíveis. Para ele, é possível acelerar o desenvolvimento de soluções de IA sem abrir mão da segurança.
“Se você sentir, em algum momento, que a empresa está fora de controle ou que o produto não é seguro, pare e certifique-se de fazer tudo certo”, complementou.
Os interesses da Nvidia em IA
A Nvidia ocupa uma posição central na infraestrutura que sustenta o avanço da inteligência artificial, com chips e supercomputadores usados no treinamento e na execução de modelos.
Nos últimos anos, porém, a big tech também ampliou sua atuação no ecossistema de código aberto, desenvolvendo modelos de pesos abertos e datasets, como a família Nemotron, o ecossistema de IA física Cosmos e a plataforma para robótica Isaac GR00T. A companhia também oferece ferramentas e frameworks para agentes, como o NVIDIA NeMo, o NeMo Guardrails, voltado à segurança, e a biblioteca TensorRT-LLM, além de ambientes de teste e simulação, como o NeMo Gym, para aprendizado por reforço, e os mundos virtuais do NVIDIA Omniverse.
A expansão desse mercado, portanto, interessa diretamente à Nvidia, que tem negócios concentrados na infraestrutura e nas ferramentas necessárias para o desenvolvimento de sistemas de IA. Ao mesmo tempo, mudanças regulatórias podem afetar a velocidade com que esse mercado avança e, consequentemente, os negócios da companhia.
Apesar disso, Jensen Huang afirmou estar mais ambicioso do que nunca. “Como resultado dessa ambição e do aumento de produtividade que obtemos com a IA, o céu é o limite para a nossa empresa, para todos os setores e países”, pontuou.
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