
Enquanto boa parte do mercado de inteligência artificial disputa espaço na corrida pelos grandes modelos de linguagem (LLMs), a Oracle tenta ocupar outra posição nessa cadeia. Em vez de desenvolver modelos próprios para competir com OpenAI, Anthropic ou Google, a companhia aposta em integrar os principais modelos já existentes a uma infraestrutura de dados corporativos com governança e segurança nativas.
A estratégia passa por conectar esses modelos a um banco de dados convergente, permitindo que empresas utilizem IA sobre dados privados sem precisar expô-los externamente.
Segundo Shasank Chavan, vice-presidente de tecnologias de banco de dados da Oracle, o principal impacto da IA corporativa não estará apenas na capacidade dos modelos, mas na forma como eles conseguem acessar, interpretar e agir sobre dados internos das empresas. “O impacto real vem do uso da IA com os dados privados, mantendo-os privados na empresa”, afirmou durante o evento Oracle Deep Dive, realizado em São Paulo nesta quinta-feira (21).
IA incorporada ao banco de dados
Durante a apresentação, Chavan detalhou o Oracle AI Database 23ai, versão de suporte de longo prazo da plataforma da companhia. A proposta é incorporar recursos de IA diretamente ao banco de dados, incluindo busca vetorial, integração com frameworks open source e ferramentas para criação de agentes de IA.
De acordo com o executivo, para funcionar de forma eficiente em ambientes corporativos, a IA precisa compreender significados, contexto e relações entre informações – e não apenas identificar padrões.
Para isso, a Oracle aposta em vetores de IA, estruturas capazes de armazenar representações semânticas de documentos, imagens e vídeos. Esses vetores podem ser combinados a dados tradicionais em uma busca unificada, permitindo que modelos de linguagem recuperem informações corporativas com mais contexto. A empresa também está integrando frameworks como LangChain e ferramentas para execução de agentes diretamente dentro do banco de dados.
Banco de dados convergente
Um dos principais argumentos da Oracle é que o avanço da IA vem sendo dificultado pela fragmentação da infraestrutura de dados nas empresas. Segundo Chavan, muitas organizações operam diferentes bancos especializados – um para documentos, outro para grafos, outro para vetores e outro para cargas transacionais – o que aumenta a complexidade operacional, os custos e os riscos de segurança. “O caos dos dados retarda a inovação e prejudica a IA”, resumiu.
Como resposta, a Oracle defende o conceito de banco de dados convergente, capaz de suportar múltiplos tipos de dados e cargas de trabalho em uma única plataforma. Segundo o executivo, isso elimina a necessidade de mover dados entre sistemas distintos e reduz problemas de integração entre aplicações analíticas, transacionais e de IA.
Entre os exemplos apresentados está a possibilidade de acessar os mesmos dados tanto como tabelas SQL quanto como documentos JSON, por meio de APIs compatíveis com MongoDB. “Isso resolve um desafio importante que bancos especializados não conseguem resolver”, afirmou.
Agentes de IA próximos aos dados
Outro destaque da apresentação foi a estratégia da companhia para agentes de IA executados próximos aos dados, com foco em desempenho, governança e segurança.
Segundo Chavan, a Oracle desenvolveu soluções integradas ao banco de dados que permitem criar, testar e implantar agentes em um ambiente controlado. A empresa também está desenvolvendo agentes pré-construídos para tarefas como gerenciamento de banco de dados, controle de acesso baseado em políticas e diagnóstico de problemas.
O executivo afirmou ainda que a Oracle pretende manter uma abordagem aberta para IA, permitindo que clientes escolham diferentes modelos e frameworks sem ficarem presos a uma única plataforma. Segundo ele, o objetivo é simplificar a infraestrutura necessária para aplicações baseadas em IA e reduzir os riscos de segurança associados ao uso de agentes corporativos.
“Sem uma base de dados sólida construída para IA, você não conseguirá se mover rápido o suficiente para acompanhar seus concorrentes”, concluiu.
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