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Fachada moderna de um edifício com o logótipo da IBM em destaque, com estrutura em madeira e vidro e uma torre envidraçada ao fundo."

A NASA, em parceria com a IBM, apresentou um novo modelo de inteligência artificial (IA) de código aberto para prever tempestades solares com maior precisão. Batizado de Surya, o sistema foi treinado com mais de dez anos de dados coletados pelo Solar Dynamics Observatory, resultando em um conjunto de informações de mais de 250 terabytes. O objetivo é identificar padrões ocultos nas imagens do Sol e antecipar a ocorrência de erupções solares e ventos capazes de afetar a Terra.

Tempestades solares ocorrem quando o Sol libera energia e partículas no espaço, gerando explosões conhecidas como flares e ejeções de massa coronal. Esses fenômenos podem causar desde falhas em sinais de rádio e interferências em satélites até riscos à saúde de astronautas.

Informações divulgadas pelo MIT Technology Review revelam que o grande desafio está na previsibilidade. Astrofísicos conseguem reconhecer se há chance de erupção iminente a partir de imagens, mas determinar quando e com que intensidade o evento ocorrerá continua sendo um obstáculo. Louise Harra, pesquisadora da ETH Zurich, explica que pequenas instabilidades podem desencadear flares, mas ainda não se sabe por que ocorrem em momentos específicos.

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Duas horas de vantagem

Nos testes iniciais, o Surya conseguiu prever algumas erupções com até duas horas de antecedência. O modelo indica o formato do flare, sua posição no Sol e a intensidade provável. Segundo a IBM, isso pode dobrar o tempo de aviso em relação às melhores tecnologias atuais. Ainda que duas horas não sejam suficientes para evitar todos os impactos de uma grande tempestade, especialistas ressaltam que cada minuto extra pode ser decisivo.

Juan Bernabe-Moreno, pesquisador da IBM que liderou o projeto, destaca que o modelo ainda pode ser aprimorado, seja com ajustes finos ou com a inclusão de novos conjuntos de dados.

Além de antecipar eventos solares, Bernabe-Moreno acredita que o Surya pode revelar conexões entre o clima espacial e o clima terrestre. Há indícios de que tempestades solares influenciem fenômenos como descargas elétricas na atmosfera da Terra, e a integração de modelos pode ajudar a mapear essas interações.

Como modelo de base, treinado sem uma tarefa única, assim como grandes modelos de linguagem, o Surya também pode abrir caminho para novos entendimentos sobre outros astros. “Entender o Sol é uma forma de compreender outras estrelas”, afirmou Bernabe-Moreno, ressaltando que o Sol funciona como um verdadeiro laboratório cósmico.

Pesquisadores alertam, no entanto, que estamos atrasados em relação à ocorrência de uma supertempestade solar, capaz de derrubar satélites, interromper comunicações globais e até afetar redes elétricas inteiras. Nesse cenário, um sistema como o Surya pode representar um avanço crucial para reduzir riscos e preparar medidas de mitigação.

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