
A trajetória de Nelson Campelo ilustra como liderança vai muito além de comandar equipes. Formado em Engenharia pela UFRGS e especializado em Transformação Digital pelo INSEAD, acumula mais de 30 anos no setor de tecnologia.
Essa experiência se traduziu em resultados concretos quando chegou à Atos América do Sul em 2019. Sob sua liderança, a operação mantém crescimento constante de 15% ao ano, índice de satisfação de clientes de 9,5 e acumula diversos casos de sucesso. A combinação rendeu-lhe o primeiro lugar no prêmio Executivo de TI do Ano 2025 na categoria Integradora.
“O cliente só é cliente quando compra pela segunda vez”, filosofa. É frase simples que resume sua estratégia complexa: construir relacionamentos duradouros baseados em entrega consistente.
Cultura como blindagem estratégica
Mas foi em 2024 que essa filosofia enfrentou seu maior teste. Enquanto a Atos global passava por reestruturação financeira complexa e a matriz encolhia, a operação sul-americana crescia acima de 15%.
“Tivemos que blindar a organização dessas questões”, explica Campelo sobre o desafio de manter equipes focadas em meio à crise corporativa. Sua resposta foi reforçar autonomia local e dobrar a aposta na cultura organizacional que vinha construindo.
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O método por trás do sucesso é o que ele chama de “círculo virtuoso”: pessoas felizes entregam projetos de qualidade, gerando clientes satisfeitos que trazem novos negócios, permitindo crescimento e promoções internas. A fórmula se comprova nos números: turnover abaixo da média do setor e programa de estágio disputadíssimo, com mais de 100 candidatos por vaga.
Essa proximidade com as equipes é cultivada através de iniciativas como o “CEO Mais Perto de Você”. “Eu brinco que tenho três respostas para qualquer pergunta: ou eu sei e respondo, ou eu não sei, ou eu sei e não posso responder”, conta sobre as reuniões mensais em agenda completamente aberta.
Essa confiança permitiu inovações ousadas. Há três anos, Campelo implementou um escritório de gestão de projetos (PMO) que hoje virou referência. O programa de aculturamento atingiu 1.730 pessoas e, em apenas um ano, gerenciou mais de 500 riscos que poderiam impactar clientes. Tanto que alguns clientes agora pedem para a Atos gerenciar projetos de concorrentes.
Paralelamente, o investimento em pessoas permanece sistemático: 220 colaboradores concluíram certificações em Google, AWS e Microsoft Azure, mantendo a operação na vanguarda tecnológica.
Mas para Campelo, o impacto vai além dos negócios. O programa “Atos do Bem”, criado pelos próprios colaboradores, já capacitou 230 pessoas e resultou na contratação de mais de 50 pessoas com deficiência. Quando chuvas devastaram o Rio Grande do Sul, a mesma cultura que gera resultados mobilizou colaboradores para ações solidárias.
“Quando você cria cultura onde pessoas têm senso de pertencimento forte, isso faz com que você tenha capacidade de fazer quase tudo”, reflete.
Há seis anos no comando, Nelson Campelo personifica uma nova geração de executivos: liderança que cria ambiente onde outros brilham, metodologia que libera criatividade, transparência que gera confiança mútua.
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