
A Netflix colocou um fim à novela envolvendo a compra da Warner e abriu mão da aquisição, após se recusar a aumentar a oferta pelo estúdio de Hollywood. A decisão da gigante do streaming de sair da corrida provocou uma reação positiva nos mercados, refletindo alívio dos investidores com o fim de uma disputa que vinha pressionando os papéis da companhia.
Por volta das 12h30 (horário de Brasília), as ações da Netflix na bolsa de Nasdaq apresentavam alta de 8,79%, depois de ter atingido um pico de cerca de 10% na abertura do mercado.
A Netflix vinha travando uma batalha de vários meses com a Paramount Skydance pela aquisição da Warner Bros. Discovery, dona de franquias cinematográficas como Harry Potter e DC Comics, além de plataformas de streaming como HBO Max.
Enquanto a Netflix havia feito uma oferta de US$ 27,75 por ação pelos ativos de estúdio e streaming, a Paramount elevou sua proposta para US$ 31 por ação, oferecendo também condições financeiras mais robustas, incluindo pagamento de eventuais multas relacionadas ao término do acordo anterior.
O conselho da Warner Bros. considerou a oferta da Paramount superior e deu à Netflix apenas alguns dias para responder e igualar os termos. A empresa de streaming, porém, avaliou que o preço necessário para permanecer na disputa tornaria o negócio “financeiramente pouco atraente” e decidiu desistir da corrida.
As ações da Paramount também subiram nesta sexta-feira (27), registrando alta de mais de 13% por volta das 13h.
A Warner havia rejeitado a primeira oferta da Paramount no início de janeiro, mesmo com a proposta sendo de valor mais alto do que a da Netflix. Na ocasião, a companhia avaliou que a oferta não atendia ao melhor interesse dos acionistas e envolvia riscos financeiros, operacionais e regulatórios significativamente maiores do que o acordo já firmado com a Netflix.
Mas a Paramount não se deu por vencida e durante os últimos meses vinha promovendo ajustes na proposta, além de ter iniciado uma espécie de campanha internacional para angariar apoio à aquisição, em um movimento que envolveu de Donald Trump ao presidente francês Emmanuel Macron.
O CEO da Paramount é David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle. Em meio às negociações, Larry chegou a se comprometer em cobrir pessoalmente a garantia de uma parte da oferta.
Do ponto de vista político e regulatório, a operação deve se transformar em um teste relevante para a política antitruste dos Estados Unidos, colocando sob pressão órgãos como a Federal Trade Commission (FTC) e o United States Department of Justice (DOJ), em um contexto de escrutínio sobre grandes fusões no setor de mídia e tecnologia.
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