
A AMD aproveitou o palco da CES 2026 para detalhar sua estratégia de expansão no mercado de chips de inteligência artificial (IA). Em apresentação realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos, a CEO da AMD, Lisa Su, exibiu uma nova geração de processadores voltados a data centers, empresas e computadores pessoais, reforçando a ambição da companhia de ampliar espaço em um segmento hoje liderado pela Nvidia.
De acordo com informações da mídia internacional, entre os principais anúncios estão os processadores MI455, integrantes da família MI400, projetados para racks de servidores de data center. Esses chips fazem parte das soluções que a AMD já fornece para clientes como a OpenAI, responsável por sistemas como o ChatGPT. Segundo a empresa, os novos componentes foram desenhados para atender cargas intensivas de IA generativa, com ganhos significativos de desempenho em relação às gerações anteriores.
Além do MI455, a AMD apresentou o MI440X, uma versão da linha MI400 voltada especificamente para uso corporativo em ambientes on-premise. Diferentemente das configurações tradicionais de clusters de IA, o MI440X foi projetado para se encaixar em infraestruturas já existentes nas empresas, sem a necessidade de grandes reformulações em data centers. A companhia informou que esse chip é derivado de uma arquitetura que também será utilizada em um supercomputador planejado pelo governo dos Estados Unidos.
A parceria com a OpenAI ganhou destaque durante o evento. Em outubro do ano passado, as duas empresas anunciaram um acordo que representou uma nova fonte de receita para a AMD e um sinal relevante de confiança na sua plataforma de hardware e software para IA. No palco da CES, o presidente da OpenAI, Greg Brockman, participou da apresentação e ressaltou a importância dos avanços em semicondutores para sustentar a crescente demanda computacional dos modelos de inteligência artificial.
Futuro da AMD
Olhando para o futuro, Lisa também antecipou detalhes da próxima geração de chips da companhia. Segundo a executiva, a família MI500 deverá oferecer um salto de desempenho de até mil vezes em comparação com versões mais antigas dos processadores. A AMD informou que o lançamento comercial dessa linha está previsto para 2027, sinalizando uma aposta de longo prazo para competir em escala com os principais fornecedores do mercado.
Mesmo com os avanços, analistas avaliam que a AMD ainda enfrenta dificuldades para reduzir a ampla vantagem da Nvidia, que segue vendendo praticamente todos os chips de IA que consegue produzir. A própria Reuters destacou que, embora a parceria com a OpenAI represente um marco estratégico, ela não deve, ao menos no curto prazo, alterar de forma significativa a liderança da Nvidia em receita e volume no segmento.
Além dos chips, o evento também trouxe anúncios que conectam a AMD ao ecossistema de robótica e IA física. Durante a apresentação, Lisa Su recebeu no palco Daniele Pucci, CEO da empresa italiana Generative Bionics. Ele apresentou o GENE.01, robô humanoide desenvolvido com foco em aplicações comerciais. Segundo Pucci, a produção do primeiro modelo comercial está prevista para o segundo semestre de 2026.
No mercado de computação pessoal, a AMD também anunciou novos processadores Ryzen AI 400 Series, voltados aos chamados AI PCs. A empresa apresentou ainda os chips Ryzen AI Max+, destinados a aplicações de inferência local mais avançadas e a jogos. Esses lançamentos ocorrem em um momento de intensa movimentação no setor, com concorrentes como a Intel também revelando novas arquiteturas para PCs com capacidades dedicadas de IA.
As novidades da AMD foram divulgadas poucas horas depois de a Nvidia detalhar sua plataforma de próxima geração, a Vera Rubin, reforçando o clima de disputa tecnológica que marcou a CES deste ano. Enquanto a Nvidia aposta em produção em larga escala ainda em 2026, a AMD busca ampliar sua presença com uma combinação de chips corporativos, parcerias estratégicas e um roteiro de produtos que se estende até o final da década.
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